segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

UMA ESPIADINHA NO LIVRO A SUBSCRIÇÃO CONFESSIONAL - DR. ULISSES HORTASIMÕES (parte 2)


A Subscrição Confessional: necessidade, relevância, e extensão
Ulisses Horta Simões 
Belo Horizonte: Epafra, 2002.

A RELEVÂNCIA CONFESSIONAL E A SUBSCRIÇÃO 
Lucio Mauro

Tendo apresentado a necessidade de documentos que resumam a fé bíblica, os credos, no passado, e as confissões, desde à Reforma, Dr. Ulisses introduz, nesta parte do livro, a análise da prática de submeter os candidatos a ofícios na igreja a algum tipo de subscrição confessional. 

Confissão e Identidade Confessional. O autor apresenta três categorias de documentos confessionais ao tratar deste assunto: Luteranos, Reformados e Evangélicos, este último constitui um grupo de documentos heterogêneos. Com a morte de Lutero, os luteranos enfrentaram longos conflitos internos tentando resolvê-los com a Fórmula de Concórdia. Ali ficou notório a divergência quanto à subscrição; o próprio Melanchton, um sucessor de Lutero, na sua busca por uma abertura que possibilitasse reavaliar a verdade, negou abertamente a subscrição. O comportamento dogmático presente nos documentos luteranos apresentava uma fé preguiçosa. E como consequência, despertou não apenas o Pietismo, com sua aversão completa ao confessionalismo, sem considerar seu valor na igreja e nos exercícios dos ofícios, mas também o liberalismo teológico e o pensamento existencialista.

Entre os Evangélicos existia uma tendência marcante de adotar algum tipo de subscrição restrita, ou mesmo de negar qualquer atitude em direção a uma subscrição plena. Nessa lista aparecem os Anabatistas, Anglicanos, Metodistas, Liberais.

Posição Reformada Sobre a Questão. Por ter sido mais abrangente do que a reforma 
luterana, as confissões reformadas foram também mais numerosas. A obrigatoriedade de subscrição de documentos que iam sendo aceitos como expressão de fé em determinada região, identificava bem a tradição calvinista. O livro cita então, duas das grandes assembleias eclesiásticas. 
O Sínodo de Dort, que se reuniu entre os anos de 1618 e 1619, promulgou as Três Formas de Unidade – A Confissão de Fé (também conhecida como Confissão Belga, por ter sido escrita na cidade belga de Mons), o Catecismo de Heidelberg (confeccionado a mando do príncipe alemão Frederico III) e Os Cânones de Dort (que foi uma resposta deste Sínodo aos cinco pontos levantados pelos arminianos), e as igrejas ali representadas exigiram de seus oficiais a subscrição destes documentos.

A Assembleia de Westminster, seguindo o mesmo caminho, promulgou a Confissão de Fé de Westminster, o Catecismo Maior e Menor de Westminster, o Diretório de Culto e o Livro de Ordem, alem de outros documentos menores. Muito embora, esta Assembleia reconhecesse que estes documentos são limitados, e, portanto, não são concorrentes das Escrituras, o apreço pela confessionalidade aumentava e cada vez mais aumentava também a diferença entre reformados e romanistas.

Na Inglaterra não houve consenso quanto a subscrição destes documentos, sendo esta questão submetida ao parlamento da época. O parlamento parece não ter chegado a um consenso pela subscrição, ou não conseguiu a adesão de sua maioria. Já no caso da Escócia, confissões não apenas foram aceitas como também se tornou obrigatória a sua subscrição. Outras denominações, não apenas na Europa, mas também nos Estados Unidos e no Brasil, assumiram posição semelhante. 

Confissão, subscrição, e ofícios eclesiásticos. A relação entre a subscrição e os ofícios. Usando a analogia dos partidos políticos, onde a imaturidade é a razão da pluralidade de pensamentos, opinou Calvino: "pois muito maior autoridade terá a determinação conveniada em comum pelos pastores das igrejas, depois de invocar o Espírito de Cristo, do que se cada um ensinasse ao povo por sua iniciativa particular".

Dr. Ulisses concorda com a necessidade de preservar a unidade do ensino e até de disciplinar com amor, mas com rigor, àqueles que descumprem seus votos de subscrição. Ele segue reconhecendo que somente a Bíblia é a norma que normatiza, a norma suprema, mas a confissão não deixa de ter um valor normativo, ainda que esteja subordinada à Bíblia. O caminho contrário não foi tomado apenas pelos Anabatistas e Pietistas, mas é tomado por liberais modernos. Longe de cair no erro romano de considerar o Papa infalível, não se pode deixar de manter firme a Confissão de Fé. A atitude das igrejas reformadas de exigirem a subscrição de seus oficiais é elogiado por Dr. Ulisses  “Uma agradável e ecumênica convivência fraternal na multiplicidade de interpretações? Jamais!”.

Dois pontos que são igualmente reprováveis, mas que seguem o espírito do ecumenismo moderno: o fato de ter uma Confissão que apresente os artigos com pouca clareza, torna uma denominação desonesta; enquanto que, do outro lado, o oficial que em aberta falta de sinceridade, subscrevem o que não confessam é igualmente desonesto. Então, requerer de seus oficiais que subscrevam as confissões não significa exclusivismo, nem arrogância, desde que não se proponha a julgar os outros ramos.


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