UMA ESPIADINHA NO LIVRO A SUBSCRIÇÃO CONFESSIONAL - DR. ULISSES HORTA SIMÕES (parte 1)

A Subscrição Confessional: necessidade, relevância, e extensão
Ulisses Horta Simões 
Belo Horizonte: Epafra, 2002.

IDENTIFICANDO PONTOS IMPORTANTES ABORDADOS NO LIVRO
Por Lucio Mauro

Eu gostaria de me aproveitar do livro A Subscrição Confessional do Dr. Ulisses para destacar algumas valiosas informações sobre o processo de desenvolvimento dos documento confessionais no ceio do cristianismo. Tais documentos visavam entre outras coisas proteger a tradição apostólica, mantendo o verdadeiro conhecimento da vontade de Deus revelada nas Sagradas Escrituras. Neste livro você vai aprender também como as igrejas consideradas confessionais assumem o compromisso de subscrever algum tipo de documento que expresse o padrão de fé da comunidade. Apesar disso, por razões variadas, muitos ministros e outros oficiais tem subscrito tais documentos de maneira parcial e, às vezes, duvidosa.  

PARTE 1 

NECESSIDADE DAS FORMULAÇÕES PROTOCREDAIS
Com a morte dos apóstolos, as controvérsias no ceio do cristianismo só aumentaram: a autenticidade dos livros do Novo Testamento, a preservação do ensino apostólico contra o aumento da diversidade de concepções somente para citar alguns dos desafios enfrentados pela igreja. Tantos foram os motivos que levaram alguns dos Pais da Igreja, como Inácio, Bispo de Antioquia; Irineu, Bispo de Lião; Tertuliano, Bispo de Cartago; a desenvolverem resumos de fé, “na instrução, nas exortações, e acima de tudo na oposição às doutrinas errôneas e aberrações morais” (p. 21). Estas Formulações ProtoCredais, ou seja, os documentos produzidos no período entre os apóstolos e o Concílio Niceno, e que serviram aos propósitos acima mencionados, tinham caráter congregacional, mas lançaram as bases para os credos como o que foi produzido no Concílio de Nicéia. 

A Necessidade dos Credos. Com o passar do tempo, as controvérsias ganharam contornos cada vez mais amplo, e uma solução geral era cada vez mais necessária. É assim que, em 325, o primeiro concílio ecumênico, Nicéia, – historicamente reconhecido como universal – foi convocado para por fim ao conflito representado pelos bispos Ário e Atanásio, que estava ameaçando a unidade do império, já que o oriente tendia ao lado de Ário, enquanto Atanásio contava com o apoio do ocidente. O princípio subordinacionista defendido por Ário ameaçava a eterna divindade de Cristo. Atanásio, e depois deles os três capadocianos lutaram sem descanso para manter a ortodoxia. O Concílio de Constantinopla, 381, com poucos acréscimos, reafirmou a posição de Nicéia, definindo a questão trinitária. Em 431, no Concílio de Éfeso, foi tratado o assunto das duas naturezas de Cristo; e em Calcedônia (451), o assunto foi definido com a declaração de que as duas naturezas, divina e humana, estavam unidas na pessoa de Cristo. 

O Credo Apostólico.  Este credo, ao que se sabe, não se originou nos apóstolos, como postulou Tyrannius Rufinus (p. 37) que no século IV chegou ao estremo de afirmar que cada apóstolo tinha legado um dos doze artigos deste credo. 
O Credo Apostólico está dividido em três partes: o Pai e a obra da criação, o Filho e a obra da redenção, o Espírito Santo e a obra de santificação. O fato que a igreja oriental, como Ulisses mostra citando o Concílio de Florença (p. 37), não o reconhece como padrão da igreja e o fato do credo nunca ter sido mencionado pelos Pais antes de Nicéia, servem como fortes evidências de que ele, apesar de sua larga aceitação, não teve sua origem entre os apóstolos. Nada obstante, o conteúdo do Credo Apostólico é perfeitamente apostólico, merecendo o título que ostenta. 

A Necessidade das Confissões. Existe uma necessidade de documentos que servem de padrão de fé às igrejas, como foi verificado na igreja antiga, mas também e de maneira mais específica, no período da Reforma Protestante. No século XVI, a igreja romana enfrentava o fantasma da Reforma dentro de suas próprias paredes, quando o monge agostiniano, Martinho Lutero, expôs suas 95 teses. Muitas cidades, aderindo a Reforma, desenvolviam suas próprias confissões. Por conseguinte, o cristianismo trocava a fase dos Credos que marcou a idade média, pela das Confissões. Esta nova forma de apresentar um resumo da fé cristã, era explicitamente apologética.
Veremos sobre isso na próxima postagem

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