terça-feira, 29 de dezembro de 2015

ARMINIANOS OU REMONSTRANTES? Uma breve avaliação - por Abram de Graaf

SÍNODO INTERNACIONAL DE DORT

A variedade entre os Arminianos ou Remonstrantes
por Abram de Graaf 

Faz pouco tempo que alguém me pediu para escrever alguma coisa sobre "arminianos ou remonstrantes". Considero esse um bom pedido, pois não existe muito conhecimento no meio das igrejas reformadas sobre a variedade e as divergências entre os remonstrantes, assim como também não existe muito conhecimento sobre a variedade e as divergências a respeito da doutrina da graça e da predestinação.


​Pensando sobre o pedido acima, achei melhor usar o livro de Roger E. Olson, Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. Ele oferece um panorama histórico dos remonstrantes e fala de modo bem resumido sobre as divergências entre eles. Usei o material de Olson porque ele mesmo é arminiano e conhece muito bem as diferenças entre os remonstrantes, como os pontos seguintes mostram.

1. Jacó Armínio (1560 – 1609) morreu como pastor e professor das igrejas reformadas na Holanda. Nos seus últimos anos, ele teve muitas discussões com Francisco Gomarus que era um supralapsarianista e monergista, enquanto Armínio era sinergista.

2. Depois da morte de Armínio, os amigos e alunos dele, por exemplo, Uytenbogaard e Simão Episcópio (1583-1643) e Hugo Grócio (1583 – 1645), reuniram-se e escreveram a Remonstrância. Nesse documento, eles resumiram a sua fé em cinco pontos falando sobre a sua salvação em Cristo Jesus. O que chamou a atenção foi o ponto que diz que o homem pode resistir a graça de Deus. Eles foram chamados “os Remonstrantes” e foram condenados pelo Sínodo de Dort em 1618/19. Simão Episcópio se tornou líder dos Remonstrantes e foi provavelmente o autor dos principais documentos do Remonstrantismo daquela época.

3. Um remonstrante da terceira geração é Philip Limborch (1633-1712). Ele levou a teologia do arminianismo para mais perto do liberalismo, com o subsequente “arminianismo de cabeça”. A teologia de Limborch estava mais próximo do semipelagianismo do que os ensinos de Armínio. Olson observou que “A partir da época de Limborch, muitos arminianos, em especial aqueles na Igreja de Inglaterra e nas igrejas congregacionais, mesclaram o arminianismo com a nova religião natural do Iluminismo; eles se tornaram os primeiros liberais dentro do protestantismo.”

4. Na Nova Inglaterra, John Taylor (1694-1761) e Charles Chauncy (1706-1787), de Boston, representavam o ‘arminianismo de cabeça’ que, com frequência e perigosamente, inclinava-se ao pelagianismo, universalismo e até mesmo ao arianismo (negação da plena deidade de Cristo).

5. João Wesley (1703-1791) se intitulava “arminiano” e defendeu o arminianismo das acusações de que ele levava à heterodoxia e, se não, à total heresia. Wesley defendeu o sinergismo ao enfatizar que a graça preveniente de Deus é absolutamente necessária para a salvação. Wesley é a maior fonte do ‘arminianismo de coração’. Após a morte de Wesley, a maioria dos teólogos arminianos preeminentes tornaram-se seus seguidores. Wesley ensinou a possibilidade da plena santificação, que não é típica de todos os arminianos, mas que é consistente com os ensinamentos do próprio Armínio.


6. O primeiro teólogo sistemático do metodismo foi, de fato, John Fletcher (1729-1786), cujas obras escritas preenchem nove volumes. Ele produziu cuidadosos e hábeis argumentos contra o calvinismo e em favor do arminianismo.

7. Um dos teólogos arminianos mais influentes do século XIX foi o metodista britânico Richard Watson (1781-1833), cujas Institutas Cristãs (1823) forneceram ao metodismo seu primeiro texto autoritativo de teologia sistemática.  Ele demonstrou cuidadosamente a deserção dos remonstrantes posteriores, tal como a de Limborch, da verdadeira herança arminiana. O arminianismo de Watson fornece uma espécie de modelo de excelência para os arminianos evangélicos, ainda que, em grande parte, não seja aplicável aos dias de hoje.

8. Entre os metodistas importantes e teólogos arminianos do século XIX, incluem-se Thomas Summers (1812-1882). Ele escreveu a Systematic Theology: A Complete Body of Weslean Arminian Divinity (1888), que se tornou um compêndio padrão para os arminianos na última parte do século XIX. Como Watson, ele mostra o abandono de Limborch e outros remonstrantes posteriores de Armínio (e dos primeiros remonstrantes) para o semipelagianismo e à teologia liberal.

9. William Pope (1822-1903) contribuiu com um sistema de teologia de três volumes: A Compendium of Christian Theology (1874). Ele apresenta uma descrição detalhadamente protestante da teologia arminiana, que não deixa dúvidas acerca de seu compromisso com a teologia reformada, incluindo a salvação pela graça por meio da fé somente.

10. Um dos teólogos arminianos mais controversos do século XIX foi o sistematicista metodista John Miley (1813-1895), cuja Systematic Theology levou B.B. Warfield, teólogo calvinista de Princeton, a publicar um extenso ataque. Miley apresentou uma tendência ligeiramente liberalizante na teologia arminiana wesleyana. Embora tenha alterado algumas posições arminianas tradicionais em uma direção mais moderna, Miley permaneceu um arminiano evangélico. De algumas formas, ele representa uma ponte entre o arminianismo evangélico e o ortodoxo (Armínio, Wesley, Watson, Pope e Summers).

11. Charles Finney (1792-1875) vulgarizou a teologia arminiana ao negar algo que Armínio, Wesley e todos os arminianos fieis que lhe antecederam haviam afirmado e protegido. Estes afirmaram a depravação total herdada, como a total incapacidade independente de um despertamento sobrenatural, despertamento este chamado de graça preveniente. Mas Finney negava a necessidade da graça preveniente. Para ele, razão, desenvolvida pelo Espírito Santo, faz com que o coração se volte para Deus. Ele chamou a doutrina arminiana clássica da habilidade graciosa (habilidade de exercer uma boa vontade para com Deus outorgado pelo Espírito Santo através da graça preveniente) de um “absurdo”.

12. O século XX testemunhou o fim do sinergismo evangélico entre as principais denominações, incluindo o Metodismo, na medida em que caíram na teologia liberal. O arminianismo absolutamente não conduz ao liberalismo, e isso está provado pelo crescimento das formas conservadoras do arminianismo entre os Nazarenos, pentecostais, batistas, igrejas de Cristo e outros grupos evangélicos. Todavia, muitos destes arminianos do século XX negligenciam ou mesmo rejeitam o rótulo de arminiano por uma variedade de razões, não sendo uma das menos importantes o sucesso dos calvinistas em definir o arminianismo de acordo com a teologia de Finney, que era considerado como modelo de um verdadeiro arminiano.

13. H. Orton Wiley (1877-1961), líder da igreja do Nazareno, que escreveu a obra Christian Theology de três volumes e um resumo de um volume da doutrina cristã, manteve o rótulo arminiano. O arminianismo de Wiley é uma forma particularmente pura do arminianismo clássico com o acréscimo do perfeccionismo wesleyano (que nem todos os arminianos aceitam). Toda bondade, incluindo as primeiras inclinações do coração para com Deus, é atribuída unicamente à graça de Deus. Como Watson, Summers, Pope e Miley, Wiley insiste em uma diferença entre semipelagianismo e o verdadeiro arminianismo.  

14. Outro teólogo arminiano do século XX é o metodista evangélico Thomas Oden. A sua obra The Transforming Power of Grace (1993) é uma pedra preciosa da soteriologia arminiana. Mas o próprio Oden não se considera como arminiano.

15. Outros teólogos arminianos do século XX (alguns dos quais não querem ser chamados de arminianos) são os batistas Dale Moody, Stanley Grenz, Clark Pinnock e H. leroy Forlines, Jack Cotrell e os metodistas I. Howard Marshall e Jerry Walls.

Uma das dúvidas que está ligada com essa definição dos remonstrantes é se os arminianos são seguidores críticos de Calvino ou se eles são um desvio do Calvinismo; Eles fazem parte do grande movimento do protestantismo, como os Luteranos, ou devem ser considerados como heréticos, como os pelagianos e semipelagianos? Na próxima postagem, eu planejo escrever um pouco mais acerca disso.

Livro de referência: OLSON, Roger E. Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. São Paulo: Reflexão, 2013.

Acesse a página do projeto Dordt-Brasil:http://canonesdedort.com/

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

UMA ESPIADINHA NO LIVRO A SUBSCRIÇÃO CONFESSIONAL - DR. ULISSES HORTASIMÕES (parte 2)


A Subscrição Confessional: necessidade, relevância, e extensão
Ulisses Horta Simões 
Belo Horizonte: Epafra, 2002.

A RELEVÂNCIA CONFESSIONAL E A SUBSCRIÇÃO 
Lucio Mauro

Tendo apresentado a necessidade de documentos que resumam a fé bíblica, os credos, no passado, e as confissões, desde à Reforma, Dr. Ulisses introduz, nesta parte do livro, a análise da prática de submeter os candidatos a ofícios na igreja a algum tipo de subscrição confessional. 

Confissão e Identidade Confessional. O autor apresenta três categorias de documentos confessionais ao tratar deste assunto: Luteranos, Reformados e Evangélicos, este último constitui um grupo de documentos heterogêneos. Com a morte de Lutero, os luteranos enfrentaram longos conflitos internos tentando resolvê-los com a Fórmula de Concórdia. Ali ficou notório a divergência quanto à subscrição; o próprio Melanchton, um sucessor de Lutero, na sua busca por uma abertura que possibilitasse reavaliar a verdade, negou abertamente a subscrição. O comportamento dogmático presente nos documentos luteranos apresentava uma fé preguiçosa. E como consequência, despertou não apenas o Pietismo, com sua aversão completa ao confessionalismo, sem considerar seu valor na igreja e nos exercícios dos ofícios, mas também o liberalismo teológico e o pensamento existencialista.

Entre os Evangélicos existia uma tendência marcante de adotar algum tipo de subscrição restrita, ou mesmo de negar qualquer atitude em direção a uma subscrição plena. Nessa lista aparecem os Anabatistas, Anglicanos, Metodistas, Liberais.

Posição Reformada Sobre a Questão. Por ter sido mais abrangente do que a reforma 
luterana, as confissões reformadas foram também mais numerosas. A obrigatoriedade de subscrição de documentos que iam sendo aceitos como expressão de fé em determinada região, identificava bem a tradição calvinista. O livro cita então, duas das grandes assembleias eclesiásticas. 
O Sínodo de Dort, que se reuniu entre os anos de 1618 e 1619, promulgou as Três Formas de Unidade – A Confissão de Fé (também conhecida como Confissão Belga, por ter sido escrita na cidade belga de Mons), o Catecismo de Heidelberg (confeccionado a mando do príncipe alemão Frederico III) e Os Cânones de Dort (que foi uma resposta deste Sínodo aos cinco pontos levantados pelos arminianos), e as igrejas ali representadas exigiram de seus oficiais a subscrição destes documentos.

A Assembleia de Westminster, seguindo o mesmo caminho, promulgou a Confissão de Fé de Westminster, o Catecismo Maior e Menor de Westminster, o Diretório de Culto e o Livro de Ordem, alem de outros documentos menores. Muito embora, esta Assembleia reconhecesse que estes documentos são limitados, e, portanto, não são concorrentes das Escrituras, o apreço pela confessionalidade aumentava e cada vez mais aumentava também a diferença entre reformados e romanistas.

Na Inglaterra não houve consenso quanto a subscrição destes documentos, sendo esta questão submetida ao parlamento da época. O parlamento parece não ter chegado a um consenso pela subscrição, ou não conseguiu a adesão de sua maioria. Já no caso da Escócia, confissões não apenas foram aceitas como também se tornou obrigatória a sua subscrição. Outras denominações, não apenas na Europa, mas também nos Estados Unidos e no Brasil, assumiram posição semelhante. 

Confissão, subscrição, e ofícios eclesiásticos. A relação entre a subscrição e os ofícios. Usando a analogia dos partidos políticos, onde a imaturidade é a razão da pluralidade de pensamentos, opinou Calvino: "pois muito maior autoridade terá a determinação conveniada em comum pelos pastores das igrejas, depois de invocar o Espírito de Cristo, do que se cada um ensinasse ao povo por sua iniciativa particular".

Dr. Ulisses concorda com a necessidade de preservar a unidade do ensino e até de disciplinar com amor, mas com rigor, àqueles que descumprem seus votos de subscrição. Ele segue reconhecendo que somente a Bíblia é a norma que normatiza, a norma suprema, mas a confissão não deixa de ter um valor normativo, ainda que esteja subordinada à Bíblia. O caminho contrário não foi tomado apenas pelos Anabatistas e Pietistas, mas é tomado por liberais modernos. Longe de cair no erro romano de considerar o Papa infalível, não se pode deixar de manter firme a Confissão de Fé. A atitude das igrejas reformadas de exigirem a subscrição de seus oficiais é elogiado por Dr. Ulisses  “Uma agradável e ecumênica convivência fraternal na multiplicidade de interpretações? Jamais!”.

Dois pontos que são igualmente reprováveis, mas que seguem o espírito do ecumenismo moderno: o fato de ter uma Confissão que apresente os artigos com pouca clareza, torna uma denominação desonesta; enquanto que, do outro lado, o oficial que em aberta falta de sinceridade, subscrevem o que não confessam é igualmente desonesto. Então, requerer de seus oficiais que subscrevam as confissões não significa exclusivismo, nem arrogância, desde que não se proponha a julgar os outros ramos.


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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

UMA ESPIADINHA NO LIVRO A SUBSCRIÇÃO CONFESSIONAL - DR. ULISSES HORTA SIMÕES (parte 1)

A Subscrição Confessional: necessidade, relevância, e extensão
Ulisses Horta Simões 
Belo Horizonte: Epafra, 2002.

IDENTIFICANDO PONTOS IMPORTANTES ABORDADOS NO LIVRO
Por Lucio Mauro

Eu gostaria de me aproveitar do livro A Subscrição Confessional do Dr. Ulisses para destacar algumas valiosas informações sobre o processo de desenvolvimento dos documento confessionais no ceio do cristianismo. Tais documentos visavam entre outras coisas proteger a tradição apostólica, mantendo o verdadeiro conhecimento da vontade de Deus revelada nas Sagradas Escrituras. Neste livro você vai aprender também como as igrejas consideradas confessionais assumem o compromisso de subscrever algum tipo de documento que expresse o padrão de fé da comunidade. Apesar disso, por razões variadas, muitos ministros e outros oficiais tem subscrito tais documentos de maneira parcial e, às vezes, duvidosa.  

PARTE 1 

NECESSIDADE DAS FORMULAÇÕES PROTOCREDAIS
Com a morte dos apóstolos, as controvérsias no ceio do cristianismo só aumentaram: a autenticidade dos livros do Novo Testamento, a preservação do ensino apostólico contra o aumento da diversidade de concepções somente para citar alguns dos desafios enfrentados pela igreja. Tantos foram os motivos que levaram alguns dos Pais da Igreja, como Inácio, Bispo de Antioquia; Irineu, Bispo de Lião; Tertuliano, Bispo de Cartago; a desenvolverem resumos de fé, “na instrução, nas exortações, e acima de tudo na oposição às doutrinas errôneas e aberrações morais” (p. 21). Estas Formulações ProtoCredais, ou seja, os documentos produzidos no período entre os apóstolos e o Concílio Niceno, e que serviram aos propósitos acima mencionados, tinham caráter congregacional, mas lançaram as bases para os credos como o que foi produzido no Concílio de Nicéia. 

A Necessidade dos Credos. Com o passar do tempo, as controvérsias ganharam contornos cada vez mais amplo, e uma solução geral era cada vez mais necessária. É assim que, em 325, o primeiro concílio ecumênico, Nicéia, – historicamente reconhecido como universal – foi convocado para por fim ao conflito representado pelos bispos Ário e Atanásio, que estava ameaçando a unidade do império, já que o oriente tendia ao lado de Ário, enquanto Atanásio contava com o apoio do ocidente. O princípio subordinacionista defendido por Ário ameaçava a eterna divindade de Cristo. Atanásio, e depois deles os três capadocianos lutaram sem descanso para manter a ortodoxia. O Concílio de Constantinopla, 381, com poucos acréscimos, reafirmou a posição de Nicéia, definindo a questão trinitária. Em 431, no Concílio de Éfeso, foi tratado o assunto das duas naturezas de Cristo; e em Calcedônia (451), o assunto foi definido com a declaração de que as duas naturezas, divina e humana, estavam unidas na pessoa de Cristo. 

O Credo Apostólico.  Este credo, ao que se sabe, não se originou nos apóstolos, como postulou Tyrannius Rufinus (p. 37) que no século IV chegou ao estremo de afirmar que cada apóstolo tinha legado um dos doze artigos deste credo. 
O Credo Apostólico está dividido em três partes: o Pai e a obra da criação, o Filho e a obra da redenção, o Espírito Santo e a obra de santificação. O fato que a igreja oriental, como Ulisses mostra citando o Concílio de Florença (p. 37), não o reconhece como padrão da igreja e o fato do credo nunca ter sido mencionado pelos Pais antes de Nicéia, servem como fortes evidências de que ele, apesar de sua larga aceitação, não teve sua origem entre os apóstolos. Nada obstante, o conteúdo do Credo Apostólico é perfeitamente apostólico, merecendo o título que ostenta. 

A Necessidade das Confissões. Existe uma necessidade de documentos que servem de padrão de fé às igrejas, como foi verificado na igreja antiga, mas também e de maneira mais específica, no período da Reforma Protestante. No século XVI, a igreja romana enfrentava o fantasma da Reforma dentro de suas próprias paredes, quando o monge agostiniano, Martinho Lutero, expôs suas 95 teses. Muitas cidades, aderindo a Reforma, desenvolviam suas próprias confissões. Por conseguinte, o cristianismo trocava a fase dos Credos que marcou a idade média, pela das Confissões. Esta nova forma de apresentar um resumo da fé cristã, era explicitamente apologética.
Veremos sobre isso na próxima postagem

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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

É CORRETO TER CREDOS E CONFISSÕES NA IGREJA?

Quais os motivos para adotarmos credos e confissões?
Por Pr. Flávio Silva

Antes de qualquer coisa, há uma base bíblica para se ter confissões? Sim, há. Há confissões de fé encontradas na própria Bíblia. O grande exemplo do Antigo Testamento é Deuteronômio 6:4: "Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus, é o único SENHOR." Esta tem sido uma confissão de fé e é, ainda hoje, tanto para judeus e cristãos.

Encontramos declarações confessionais no Novo Testamento também. Por exemplo, temos Efésios 4:4-6, "Há um só corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos...." Em Mateus 10, o Senhor Jesus nos encoraja a confessá-lo diante dos homens. Isso requer palavras e a igreja tomou as palavras da Escritura e as resumiu com suas próprias palavras.

Em nossos dias, vemos aqueles que dizem que “não devemos ter nenhum credo e confissão, mas Cristo". Essas palavras soam bastante piedosas. Mas a realidade é que todo mundo tem um sistema de crença por trás do que eles dizem, quer escrevam ou não. Por exemplo, se você for a uma dessas igrejas onde dizem que não tem credos e confissões, pergunte-lhes se batizam seus filhos pequenos, eles provavelmente dirão: "Não, nós não acreditamos que o batismo infantil é correto." Ao dizer isso, eles mostram que eles de fato têm um sistema de crenças em que eles acreditam. Todo mundo tem um sistema de crenças, é inevitável, a diferença é que nas igrejas confessionais, nós anotamos e confessamos para que todos saibam no que nós acreditamos.

Qual primeiro motivo para termos credos e confissões? Para que as pessoas saibam no que cremos. Não é um segredo. Então, temos um resumo útil dos importantes ensinamentos da Bíblia.

Segundo, nós os usamos para instruir nossos filhos e a nós até mesmos sobre os princípios ensinados na Bíblia. Na igreja da qual sou ministro da Palavra, temos aulas de catecismo, onde as confissões são usadas como direcionamento dos ensinamentos bíblicos. Além disso, temos a cada domingo pregação sobre o catecismo para toda a congregação. Não é que os credos e confissões tomam o lugar das Escrituras, mas que eles são usados como guias para o que a Bíblia ensina. Credos e confissões são úteis para conduzir o caminho, dar direção.

Terceiro, nossos credos e confissões também são úteis para manter os falsos ensinos distantes. O Credo Niceno e o Credo Atanasiano, por exemplo, foram elaborados em resposta aos falsos ensinamentos sobre as doutrinas da Trindade e da pessoa de Cristo. Os Cânones de Dort foram elaborados em resposta aos falsos ensinamentos sobre a soberania de Deus em nossa salvação. Ministros da palavra, presbíteros e diáconos devem subscrever os credos e confissões.

Livro Recomendado A Subscrição Confessional - Ulisses Horta Simões
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