A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DAS LÍNGUAS BÍBLICAS ORIGINAIS

A maioria dos reformadores haviam recebido formação humanista. Uma das características marcantes do humanismo de sua época era o retorno aos documentos antigos (ad fontes), como os clássicos gregos e os documentos antigos das Sagradas Escrituras. Como resultado do apreço pelas línguas originais bíblicas, o mundo recebeu o primeiro texto nas línguas originais, o Hebraico e o Grego, impresso na Poliglota Computensia (1517), em seguida, veio o Textus Receptus produzido por Erasmo de Roderdã, que serviu como base para a tradução da Bíblia nas línguas modernas.



As Igrejas Reformadas e a Tradução da Bíblia em Português (século XVII e XVIII)
Você está convidado a abrir sua Bíblia nas primeiras páginas. A grande maioria das Bíblias usadas no Brasil fazem uso da tradução de um tal “João Ferreira de Almeida”. Quem foi este homem? Ele foi um dos primeiros portugueses a abraçar publicamente a fé reformada, em 1642. Mais tarde ele se tornou um pastor das Igrejas Reformadas numa região da Ásia onde se fala português, e iniciou o trabalho de traduzir a Palavra de Deus para a língua portuguesa. A obra que ele iniciou foi completada por outros pastores reformados no século XVIII.



A benção de termos a Bíblia em nossa língua começou com um pastor reformado que conhecia bem as línguas originais da Bíblia. O conhecimento das línguas originais  continua sendo imprescindível para melhoramento das traduções já existentes e publicação de novas traduções. Isso não significa que as traduções antigas foram mau feitas (embora elas não tenham sido perfeitas), mas porque a língua é dinâmica, ela muda com o tempo e isso exige que palavras, expressões e até mesmo sentenças inteiras sejam adaptadas à realidade contemporânea.



Além disso, o conhecimento das línguas originais é importante também para o bom uso da Bíblia na igreja. Seja em pregações, estudos, catequese, devocionais a compreensão da mensagem e do propósito para o qual a mensagem foi deixada escrita na Palavra de Deus são o alvo de todos que dependem da Bíblia para viver uma vida cristã agradável a Deus. Para que se atinja um grau satisfatório de compreensão da mensagem e do seu propósito, é útil o conhecimento das línguas originais bíblicas.

Embora existam atualmente muitas ferramentas que ajudam a compensar as dificuldades daqueles que não dispõe do conhecimento do Hebraico e do Grego para obter este conhecimento, aqueles que receberam formação adequada nas línguas bíblicas conseguirão fazer um trabalho de investigação mais profundo, na busca dos significados de palavras, expressões e frases.

Por esses motivos e outros que podem ser levantados, estudar as línguas bíblicas é útil e até mesmo necessário em nossos dias. Portanto, se você já é pastor e não recebeu boa formação nessa área, não desanime de se matricular em um bom curso de línguas bíblicas. Se você fez seminário e recebeu uma formação fraca, como é o caso da maioria dos seminários que apenas oferecem a disciplina de Grego e Hebraico como exigência do currículo de Bacharel em Teologia, sem contudo oferecer aos estudantes a menor condição de praticar uma Exegese decente, você também tem motivos para se matricular em um bom curso de línguas bíblicas. Se você ainda não possui nenhuma afinidade como o Grego e o Hebraico, nunca é tarde demais para aprender. Matricule-se em um curso de qualidade e seja capaz de fazer melhor o trabalho de entender, explicar e aplicar a mensagem da Palavra de Deus aos corações dos crentes de sua congregação.

Por Lucio Mauro

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