Corrupção da Natureza Humana e sua Hereditariedade

Uma Expressão Bíblica da Corrupção da Natureza Humana e sua Hereditariedade
Autorizado
A confissão Belga (1561), produzida por Guido De Brès, é um dos três símbolos de fé das igrejas reformadas. Ela traz uma exposição bíblica das verdades indispensáveis à unidade da verdadeira igreja. Verdades que devem ser proclamadas e defendidas contra as invenções e contradições dos homens que poluem e maculam o conceito de verdadeira religião.
No artigo 15 desta confissão que trata do pecado original, lemos que: “Esse pecado é a corrupção de toda a natureza humana e um mal hereditário que contamina até mesmo as criancinhas no ventre de suas mães”. Estas sentenças refletem a verdade bíblica e teológica? Como se pronuncia a teologia? A Bíblia evidencia e/ou comprova esta doutrina? O mal hereditário, descrito por De Brès, é uma contaminação genética?
Este modesto trabalho, tem por objetivo esclarecer tais questionamentos e expor as verdades acerca da corrupção da natureza humana e de sua hereditariedade ao demais componentes da raça. Para uma devida compreensão do assunto, faz-se necessário abordar, suscintamente, a natureza original do homem, percorrendo o caminho que o conduziu a ruína (queda), para chegarmos ao cerne de nossa temática e então apontar, com clareza, o entendimento de De Brés.

UM ESCLARECIMENTO

É de fundamental importância abordar a origem da humanidade antes de falar sobre sua ruína.
A maneira peculiar que o homem foi criado (Gn 1.26-27; 2.7,21-22) o coloca de maneira distinta acima das demais criaturas e aponta claramente o seu domínio sobre elas (Gn 1.28). Ele foi criado em estado de maturidade e perfeição (adulto e perfeitamente adequado ao fim a que foi criado), isento de enfermidades e da morte. Ele desfrutava da mais elevada felicidade e bem-esta, em plena perfeição de sua natureza.
Apesar de ter sido formado do pó da terra, Adão recebeu o sopro de Deus (Gn 2.7) e foi feito à imagem e semelhança de dEle (Gn 1.26), uma imagem que se assemelha, perfeita. Ao criar o homem Deus o dotou de razão e moral, ele era livre e espiritual, à sua imagem, o que o faz capaz de relacionar-se com Ele. Ele recebeu a imagem essencial de Deus (ser espiritual) e dotes naturais (agente inteligente e voluntário), sendo os últimos passivos de perda, contudo, sem perder-se a própria humanidade.
O homem possuía retidão original, ou seja, desfrutava de uma perfeita harmonia em todas as suas partes (razão, vontade, afetos e apetites), e perfeição moral, que o assemelhava a Deus – conhecimento, justiça e santidade (Gn 1.31; Ec 7.29; Col 3.10; Ef 4.24) – estes últimos versos nos ensinam que tais condições são obtidas através da comunhão com Cristo, exemplo e propósito final em Deus e faz com que o homem novamente compartilhe da natureza de Deus(1) como na criação original).
Calvino em plena consonância com o exposto afirma:
“A integridade de Adão, quando possuía espírito reto, tinha afetos ajustados à razão e todos os sentidos em ordem retamente disposta e, com seus exímios dotes, de fato refletia a excelência do seu criador. [...] no princípio, a imagem de Deus era conspícua na luz da mente, na retidão do coração e na santidade de cada parte” (Institutas da Religião Cristã, livro I, pg. 176,177).
Fica claro que, a semelhança de Deus no homem se torna mais forte na perfeição moral, ou justiça original que se expressa, principalmente no puro conhecimento e na perfeita justiça e santidade, com a qual o homem foi dotado. O catecismo de Heidelberg, no DS 3, respondendo a pergunta 6, afirma que “Deus criou o homem bom e à sua imagem, isso é, em verdadeira justiça e santidade, de modo que ele pudesse conhecer a Deus, o seu criador, ama-lo de coração, e viver com ele em eterna felicidade para o louvar e glorificar”(2).
Este mesmo ensino ecoa nos 3º/4º capítulos dos Cânones de Dort – (Artigo 1):
“No princípio o homem foi criado à imagem de Deus. Foi adornado em seu entendimento com o verdadeiro e total conhecimento do seu criador e de todas as coisas espirituais. A sua vontade e o seu coração eram retos; todos os seus sentimentos, puros; o homem era, portanto, completamente santo”. (Cânones de Dort, 3º/4º capítulos da Doutrina, pg. 116).
Contudo, o todo harmônico em que foi formado o homem, é suscetível à mudanças. Deus estabeleceu um relacionamento gracioso com este homem ao cria-lo, estabeleceu uma aliança, por meio do qual ele poderia desfrutar dos mais elevados privilégios (plena vida acima da possibilidade de errar, pecar e morrer). Entretanto, foi-lhe anunciada que havia a possibilidade de desobediência, para a qual, a morte seria o castigo (Gn 2.16-17; Os 6.7). Adão não deveria seguir seu próprio caminho, mas o que Deus tinha apontado para ele. Isso evidencia que, apesar do homem desfrutar de uma formação tão privilegiada, e de ser feito à imagem de Deus, havia à possibilidade de transgredir (Gn 3.6; Ec 7.29). À luz da revelação, ficou patente, a liberdade de vontade humana, que por natureza era sujeito à mudança.

O PONTO DE PARTIDA

Tendo esclarecido a forma exaltada que o homem recebeu em sua criação, passemos a olhar mais de perto, como do estado original em que foram criados, nossos primeiros pais, Adão e Eva, se precipitam em condenação e ruína, para então, refletir sobre o que levou De Brès a sua exposição.
Fizemos referência, à luz das Escrituras, que a liberdade da vontade humana era sujeita a mudanças. E, é exatamente isso que fica explicitado no relato bíblico da queda, que se encontra em Gênesis 3. Sobre o relato, algumas observações podem ser propostas: 1. A mulher não transgrediu a lei de Deus por si só, mas foi seduzida pela serpente; 2. A tentação ocorreu na forma de um ataque ao mandamento de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal; 3. Esse mandamento tinha o objetivo de fazer que a obediência de Adão se tornasse manifesta. Isso indica que obedecer não estava além de suas forças; 4. Satanás transformou o mandamento em uma tentação, atacando de maneira sorrateira, a obediência do homem; ele lança dúvida na alma de Eva sobre as intenções de Deus, apontando-os como uma violação da liberdade e dos direitos do homem; 5. Isso gera incredulidade e leva a pensamentos pecaminosos acerca das razões pelas quais Deus tinha dado esse mandamento – manter o homem em sujeição, impedindo-os de ser “como Deus”; 6. Esse emaranhado de pensamentos leva Eva a ver a transgressão com um caminho para a vida, quando Deus disse que sua transgressão teria como resultado a morte. 7. Por consequência, a árvore se torna “agradável aos olhos e desejável para dar entendimento”; 8. O desejo concebido conduziu ao ato pecaminoso – Eva “tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Gn 3.6; Tg 1.15). Adão subscreveu as mentiras de satanás que acusam Deus de egoísmo, inveja e maldade. Ele desprezou a verdade e se encurvou a mentira, renunciando a autoridade de Deus.
Podemos concluir citando Berkhof, que sobre o primeiro pecado expressou a distinção dos seguintes elementos: “no intelecto revelou-se com incredulidade e orgulho, na vontade, com desejo de ser como Deus, e nos sentimentos, como uma ímpia satisfação ao comer do fruto proibido” (Teologia Sistemática, pg.206)(3). Já Bavinck que descreve o pecado dos nossos pais e, por conseguinte, os nossos, expressando que “começa com o obscurecimento do entendimento, continua através da excitação da imaginação, estimula o desejo no coração e culmina em um ato de vontade” (Teologia Sistemática, pg.246)(4).

O CERNE DA QUESTÃO

Da queda no pecado somos conduzidos à questão da imputação do pecado de Adão. Aqui, reside o ápice de nossa temática no processo de compreensão das sentenças expressas por De Brès: a corrupção e a conseguinte imputação do pecado de Adão aos seus descendentes.
Ao pecar, uma mudança tremenda aconteceu com nossos primeiros pais; imediatamente tiveram vergonha um do outro, seus olhos se abriram e percebendo que estavam nus; tentaram se esconder de Deus e um do outro, então colheram folhas de figueira para esconder sua nudez. Eles se sentiram culpados e impuros. Como comparecer perante Deus, cobertos de vergonha e desgraça? Eles fugiram e se esconderam, evidenciando a perda da comunhão com Deus. A completa corrupção da natureza aparece, uma depravação total que contaminou todos os poderes e faculdades do corpo e da alma. Por conseguinte, passaram a ter uma consciência corrupta e culpada que os acusavam.
Essa contaminação se espalha por toda a humanidade. Isso transparece com clareza, já entre os primeiros descendentes (Caim matando seu irmão Abel – Gn 4.8; Lameque – matando dois homens por motivo fútil e tendo duas esposas – Gn 19,23) e da geração anterior ao dilúvio é dito que sua maldade crescia muito e que seus pensamentos eram sempre e somente para o mal (Gn 6.5,11,12). A corrupção atingiu patamares tão elevados que levou Deus a exterminar toda a raça, a exceção de Noé e sua família. Entretanto, a geração seguinte continua tendo maus desígnios desde sua mocidade (Gn 8.21). E, assim, prossegue por toda a Escritura (Jó 14.4; 1 Rs 8.46; Sl 143.2; Sl 51.5; 58.3; Pv 20.9; Ec 7.20; Mt 9.12,13; 15.24; Rm 3.19,20; 1.18-32; 2.1-3.20; 11.32; Gl 3.22; Ef 2.1-3; Tg 3.2; 1 Jo 1.8,10). O pecado provocou uma corrupção tão profunda que, o próprio mundo se tornou uma força antagônica a Deus, onde satanás governa como um príncipe (Jo 14.30; 16.11), e é claramente expresso que quem se faz seu amigo, torna-se inimigo de Deus (Tg 4.4). E seguir-se-ia uma interminável lista. Todavia, parece-me suficiente para esclarecer, que do ponto de vista bíblico “toda a história do mundo é uma prova do fato de que a raça humana, tanto em conjunto, quanto em seus membros individuais, é culpada diante de Deus, tem uma natureza moralmente corrompida, e está sempre sujeita à decadência e à morte”(5).
Como se deu tamanha propagação da corrupção? Calvino diz que essa propagação é oriunda da perda da imagem celeste:
“Então, depois de que nele foi apagada a imagem celeste, não sustentou sozinho essa pena pela qual, no lugar da sabedoria, da virtude, da santidade, da verdade, da justiça – das quais fora revestido como ornamentos – odiosamente acometeram a peste, a cegueira, a impotência, a impureza, a vaidade, a injustiça, mas envolveu e mergulhou sua posteridade em cada uma dessas misérias. Tal corrupção hereditária... os antigos chamaram pecado original... transmitido desde o ventre materno” (Institutas da Religião Cristã. Livro II, pg. 230).
A luz do exposto acima transparece com mais nitidez a raiz das expressões de De Brès. No entanto, devemos nos perguntar: Como somos feitos culpados em Adão? Por genética, imitação ou imputação? Os Cânones de Dort ao tratar sobre a corrupção do homem, esclarece a opinião na igreja acerca de uma das questões acima (a imitação pelagiana – na qual não nos determos no momento), ao passo que nos ajuda na compreensão das restantes:
“Depois da queda o homem se tornou corrompido e como um pai corrompido gerou filhos corrompidos. Assim a corrupção, de acordo com o justo juízo de Deus, propagou-se de Adão a todos os seus descendentes – a exceção de Cristo somente – não por imitação, como afirmam os antigos pelagianos, mas pela propagação de uma natureza pervertida”.
“Portanto todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer bem salvador, inclinados para o mal, mortos em pecados e escravos do pecado.” (Cânones de Dort, 3º/4º capitulo, artigos 2 e 3 pg.116)
Essa exposição reflete o consenso reformado sobre como nos tornamos culpados em Adão – por imputação imediata – em virtude de nossa união, natural e federal, com Adão. Porém, isso requer elucidações:
Primeiramente, convém definir imputação. Imputar é pôr algo na conta de alguém; tratando-se do pecado, é a obrigação judicial de satisfazer a justiça (o que anula a acusação de uma aplicação arbitrária). Nossa temática é uma excelente ilustração da natureza desta imputação – a imputação do pecado de Adão ao homem, dos pecados do homem a Cristo, e da justiça de Cristo aos crentes. Todos, a uma, são cientes de sua indignidade e miséria, e que são merecedores da ira e condenação de Deus, entretanto se regozijam nos méritos de Cristo, que fez expiação pelos pecados, e os concedeu sua justiça, fazendo-os legalmente justos.
Em segundo lugar, convém definir nossa relação com Adão. A base da imputação é a união da humanidade com ele. Ele foi designado cabeça natural e federal de toda sua posteridade . As promessas e ameaças, bem como domínio com que foi investido, foram dito a ele em sua capacidade representativa, sendo transmitida também a sua posteridade, o que inclui também, os males provenientes da queda.
Como podemos comprovar estas afirmações à luz das Escrituras? Em primeiro lugar, podemos referir o próprio Deus, que se declarou a Moisés como sendo aquele “que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração” (Êx 34.7). Jeremias o descreve como aquele que usa “de misericórdia para com milhares e retribuis a iniquidade dos pais nos filhos” (Jr 32.18). Uma visão panorâmica das Escrituras ilustrará o exposto, pois apresenta que a imputação do pecado de Adão ao restante da raça não é um caso isolado, mas que caracteriza de modo geral a maneira de Deus tratar o mundo. Charles Hodge descreve:
“Este princípio representativo impregna todas as Escrituras [...] A venda que Esaú fez de sua primogenitura excluiu seus descendentes do pacto da promessa [...] No caso de Datã e Abirão, bem como no de Acã, ‘suas mulheres, seus filhos e seus pequeninos’ pereceram em decorrência do pecado de seus pais [...] Disse-se a Davi: ‘Não se apartará a espada jamais de tua casa, porquanto me desprezastes e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher’. Ao desobediente Geazi, foi dito: ‘A lepra de Naamã se apegará a ti e à tua descendência para sempre’. O pecado de Jeroboão e dos homens de sua geração, determinou o destino das dez tribos para toda a história. A imprecação dos judeus, quando exigiram a crucificação de Cristo, ‘Caia sobre e nós o seu sangue e sobre os nossos filhos’ continua gravitando sobre o disperso povo de Israel” (Teologia Sistemática, pg.631).
Corroborando com Hodge podemos mencionar que o plano de redenção repousa sobre este mesmo princípio. Pois, a aliança que Deus firmou com Abraão, não incluiu só ele, mas todos os seus descendentes e, o sistema cerimonial na antiga dispensação tinha sua raiz na ideia de transferência de culpa ou de castigo a outrem. Isso nos leva inevitavelmente a Cristo em quem nos foi estabelecida uma eterna e nova aliança, não com sangue de animais (que não pode tirar pecados), mas com seu precioso sangue, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito. Aqui reside a suma de ensino das Escrituras, da expiação oferecida por Cristo. Ele carregou nossos pecados e foi feito maldição por nós, carregando sobre si, em nosso lugar, o castigo da lei.
A passagem bíblica de Romanos 5.12-24 estabelece a ligação entre Adão e Cristo e constitui a base para nossa justificação. Mas, qual o ensino básico nela estabelecido? Ilustrar o método de salvação inferido por Paulo acerca do trabalho de Deus. Paulo havia descrito que todos os homens são pecadores, e por isso, culpados diante de Deus e debaixo da condenação da lei. No texto referido, ele faz uma analogia da condenação em que a raça humana se precipitou pelo pecado de Adão, pois todos estavam representados nele, e da justificação judicial dos que estão confiados na obediência de Cristo. O que se conclui? Como o primeiro pecou e isso foi a base da condenação de sua posteridade, a justiça do segundo é a base da justificação dos que nEle estão. A rejeição de um, inclui, consequentemente, a rejeição do outro.

UMA PALAVRA FINAL

À luz do exposto, sob a perspectiva bíblica e teológica, ficamos convencidos que De Brès ao descrever a corrupção da humanidade como decorrente da desobediência de Adão estava, simplesmente, expondo as verdades contidas na Palavra de Deus.
Quanto a sua descrição como “um mal hereditário que contamina até as criancinhas no dentre de suas mães”, requer uma explicação por partes. É evidente, pelas mesmas razões expressas quanto à corrupção, que as criancinhas são herdeiras desta corrupção e depravação, conforme expusemos por textos bíblicos e citações. A perversidade própria acompanha o homem desde seu nascimento; descendemos de uma semente impura e consequentemente, nascemos infectados pelo pecado, sujos e manchados aos olhos de Deus. O Catecismo de Heidelberg no DS 3, respondendo a pergunta 7, reza que por causa da desobediência de nossos primeiros pais, no paraíso, “nossa natureza tornou-se corrupta de tal modo que somos todos concebidos e nascidos em pecado”(6).
Quanto à hereditariedade do pecado, é evidente que, o vocábulo empregado por De Brès não se referia ao conceito biológico. Embora se fale sobre a nossa imundície sendo transmitida dos pais aos filhos, e que todos desde sua origem tenham sido manchados por esta corrupção, precipitados em ruína e desgraça, feitos filhos da ira desde o próprio ventre, devemos esclarecer que a alma do filho não é originada ou transferida da alma do pai, mas simplesmente que o Senhor depositou em Adão os bens que quis dar ao restante da raça e, havendo ele perdido o que recebeu, não perdeu unicamente pra si, mas para toda sua posteridade. Como disse Calvino, de quem faço as palavras de Conclusão:
“De uma raiz apodrecida, foram produzidos ramos apodrecidos, que transmitiram sua podridão a outros rebentos que deles nasciam. Assim, os filhos tiveram o vício nos pais, como se fossem corrompidos pela descendência, isto é, tal como o início da corrupção que esteve em Adão, como um perpétuo afluir, transvasasse dos ancestrais à posteridade. Com efeito, não está o contágio na carne ou na alma, mas porque assim foi ordenado por Deus: ao conferir aqueles bens ao primeiro homem, aquele simultaneamente tanto conservaria quanto perderia tanto a si quanto aos seus [...] Embora se diga que somos sujeitos ao juízo de Deus pelo pecado de Adão, isso não deve ser aceito desse modo, pois assim nos sustentaremos inocentes e desmerecedores da culpa de seu delito, mas cumpre ser dito que ele nos tenha comprometido porque estamos todos revestidos pela maldição de sua transgressão. Portanto, não provem de Adão apenas a pena que caiu sobre nós, mas reside em nós, por ele inculcado, o flagelo a que por direito é devida a pena [...] E, por isso, as próprias crianças também são culpadas, enquanto trazem consigo a condenação desde o ventre materno” (Institutas da Religião Cristã, livro II, pg. 234).
Portanto, rejeitamos o ensino herético de transmissão do pecado por imitação, dos pelagianos (junto com a igreja em sua confissão já exposta), bem como a da transferência da alma paterna no ato da geração natural. E, consideramos respondidos os questionamentos supostos que deram origem a esta pesquisa. Que a verdade bíblica e teologia professa por De Brès em sua confissão, nos conduza a piedosa devoção a Deus que nos amou em Cristo, resgatando-nos de tamanha corrupção e miséria.

CETIRB – Centro de Estudos Teológicos das Igrejas Reformadas do Brasil Instituto João Calvino Bacharel em Divindade
Simbólica I
Seminarista Elton da Silva
Professor: Clarence Bouwman
Camaragibe, 2010

NOTAS
(1) Bavinck, Teologia Sistemática, p. 227
(2) O catecismo de Heidelberg, DS 3, resposta 6
(3) Louis Berkhof, Teologia Sistemática, p. 206
(4) Bavinck. Ibidem, p. 246
(5) Bavinck. Ibidem, p. 267
(6) O catecismo de Heidelberg, DS 3, resposta 7

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