sábado, 16 de julho de 2011

Verdict Escrito Confirma Sentença de Morte de Pastor iraniano

Esta matéria está estampada na página PERSECUTION.
Este é o caso mais recente de pena aplicada a pregadores do evangelho nos países que perseguem o Evangelho de Jesus Cristo.
Desde o ano passado a igreja de Cristo no Brasil e no resto do mundo, estava orando pela libertação do sul do Sudão, país da Africa, de maioria mulçumana, que perseguia cristãos de todas as denominações. O ditador daquele país aceitou o referendo que mostrou que os 98,83 dos habitantes da região sul, que foram às urnas, aprovavam a separação. Resta-nos orar para que este processo seja conduzido em paz. Mas então, Deus respondeu às orações e deu àqueles crentes o sonho de cultuar ao Senhor com liberdade, estes crentes agora veem no horizonte o privilégio que ainda, digo "ainda" temos no Brasil, de cultuar a Deus sem o risco de serem presos e até mortos.
Enquanto isso, em nosso país, os cumunistas lutam para implantar uma ditadura gay. E muitos de nós não enchergamos isso e até contribuimos colocando no poder esses adversários da Fé, depravados, avarentos, amigos dos prazeres e inimigos de Deus.
Se isso chegar a acontecer, e oramos para que não, voltaremos ao tempo em que só os verdadeiros Cristãos terão coragem de defender a glória do Senhor Jesus.
Receber a notícia destes crentes que estão sofrendo perseguição por causa da fé bíblica, nos causa terror. Pensamos em sua vida e na de seua família, e na do rebanho de Cristo que estava sob seu pastoreio. E rogamos para que Deus tenha misericórdia deles. Ao mesmo tempo em que nos sentimos encorajados a lutar contra todas as armadilhas do diabo em nosso próprio país.
Sabemos muito bem que não há em nós mesmos força para esta luta. Mas rogamos a Deus que nos conceda a Graça de não apenas sermos salvos, mas também de padecermos por causa da fé (Cl 1.19).

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

COMENTÁRIO BÍBLICO

Identificando os assuntos em Isaías 49. 1-6
Breve explicação dos assuntos. Uma análise interna dos versículos

1a – Ouvi-me, ilhas, e escutai vós, povos de longe: (Chamado universal do evangelho)

1b – O SENHOR me chamou desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe fez menção do meu nome. (A vocação profética do mensageiro)

2 – E fez a minha boca como uma espada aguda, com a sombra da sua mão me cobriu; e me pôs como uma flecha limpa, e me escondeu na sua aljava; (A força da mensagem e a proteção de Deus durante seu ministério)

3 – E me disse: Tu és meu servo; és Israel, aquele por quem hei de ser glorificado. (O enviado de Deus representa o Israel ideal, o povo que traz orgulho ao SENHOR e aponta para Cristo e sua Igreja, que é aperfeiçoada nele)

4a – Porém eu disse: Debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças; (o desgosto do enviado do SENHOR reflete a rejeição do povo de Israel à sua mensagem)

4b – todavia o meu direito está perante o SENHOR, e o meu galardão perante o meu Deus. (O servo confia que seu trabalho está de acordo com o mandado do SENHOR, apesar da rejeição do seu povo, e que será recompensado por esse trabalho)

5a – E agora diz o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, (o servo reafirma sua vocação profética)

5b – para que torne a trazer Jacó; (o profeta revela o propósito restaurador de Deus com a sua mensagem)

5c – porém Israel não se deixará ajuntar; (Esta tradução encontra problema, sendo geralmente traduzida por “e para reunir Israel a ele”)

5d – contudo aos olhos do SENHOR serei glorificado, (o servo confia que seu trabalho deixará Deus orgulhoso v.4b)

5e – e o meu Deus será a minha força. (Ele reafirma sua confiança em Deus v.4b)

6a – Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; (depois de revelar sua missão de juntar o povo de Deus entre Israel, Deus mostra seu desejo de incluir os gentios na promessa de redenção)

6b – também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra. (Deus mostra seu amor pactual ao salvar seu povo, mas cumpre sua promessa de estender a salvação para toda terra)

Por Lucio Mauro

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Jovem cristão fica em primeiro lugar no vestibular da UFPE 2011

Jovem cristão fica em primeiro lugar no vestibular da UFPE

Na última semana, jornais, rádios, TVs, e principalmente a internet, reproduziram o resultado do vestibular 2011 da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com a marca histórica de 8 alunos de escola pública entre os 10 primeiros colocados.
O primeiro colocado, ao contrário do que se costumava ver, não foi ocupado por um candidato ao curso de direito ou medicina, mas ao bacharelado em música. Davi Barbosa Campos, morador do bairro de Caetés Velho, Abreu e Lima, ficou com o primeiro lugar geral com a nota de 8,59.

Veja mais
Entrevista no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=e6jFd_0AYzM
Matéria: http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/01/22/urbana4_0.asp

Corrupção da Natureza Humana e sua Hereditariedade

Uma Expressão Bíblica da Corrupção da Natureza Humana e sua Hereditariedade
Autorizado
A confissão Belga (1561), produzida por Guido De Brès, é um dos três símbolos de fé das igrejas reformadas. Ela traz uma exposição bíblica das verdades indispensáveis à unidade da verdadeira igreja. Verdades que devem ser proclamadas e defendidas contra as invenções e contradições dos homens que poluem e maculam o conceito de verdadeira religião.
No artigo 15 desta confissão que trata do pecado original, lemos que: “Esse pecado é a corrupção de toda a natureza humana e um mal hereditário que contamina até mesmo as criancinhas no ventre de suas mães”. Estas sentenças refletem a verdade bíblica e teológica? Como se pronuncia a teologia? A Bíblia evidencia e/ou comprova esta doutrina? O mal hereditário, descrito por De Brès, é uma contaminação genética?
Este modesto trabalho, tem por objetivo esclarecer tais questionamentos e expor as verdades acerca da corrupção da natureza humana e de sua hereditariedade ao demais componentes da raça. Para uma devida compreensão do assunto, faz-se necessário abordar, suscintamente, a natureza original do homem, percorrendo o caminho que o conduziu a ruína (queda), para chegarmos ao cerne de nossa temática e então apontar, com clareza, o entendimento de De Brés.

UM ESCLARECIMENTO

É de fundamental importância abordar a origem da humanidade antes de falar sobre sua ruína.
A maneira peculiar que o homem foi criado (Gn 1.26-27; 2.7,21-22) o coloca de maneira distinta acima das demais criaturas e aponta claramente o seu domínio sobre elas (Gn 1.28). Ele foi criado em estado de maturidade e perfeição (adulto e perfeitamente adequado ao fim a que foi criado), isento de enfermidades e da morte. Ele desfrutava da mais elevada felicidade e bem-esta, em plena perfeição de sua natureza.
Apesar de ter sido formado do pó da terra, Adão recebeu o sopro de Deus (Gn 2.7) e foi feito à imagem e semelhança de dEle (Gn 1.26), uma imagem que se assemelha, perfeita. Ao criar o homem Deus o dotou de razão e moral, ele era livre e espiritual, à sua imagem, o que o faz capaz de relacionar-se com Ele. Ele recebeu a imagem essencial de Deus (ser espiritual) e dotes naturais (agente inteligente e voluntário), sendo os últimos passivos de perda, contudo, sem perder-se a própria humanidade.
O homem possuía retidão original, ou seja, desfrutava de uma perfeita harmonia em todas as suas partes (razão, vontade, afetos e apetites), e perfeição moral, que o assemelhava a Deus – conhecimento, justiça e santidade (Gn 1.31; Ec 7.29; Col 3.10; Ef 4.24) – estes últimos versos nos ensinam que tais condições são obtidas através da comunhão com Cristo, exemplo e propósito final em Deus e faz com que o homem novamente compartilhe da natureza de Deus(1) como na criação original).
Calvino em plena consonância com o exposto afirma:
“A integridade de Adão, quando possuía espírito reto, tinha afetos ajustados à razão e todos os sentidos em ordem retamente disposta e, com seus exímios dotes, de fato refletia a excelência do seu criador. [...] no princípio, a imagem de Deus era conspícua na luz da mente, na retidão do coração e na santidade de cada parte” (Institutas da Religião Cristã, livro I, pg. 176,177).
Fica claro que, a semelhança de Deus no homem se torna mais forte na perfeição moral, ou justiça original que se expressa, principalmente no puro conhecimento e na perfeita justiça e santidade, com a qual o homem foi dotado. O catecismo de Heidelberg, no DS 3, respondendo a pergunta 6, afirma que “Deus criou o homem bom e à sua imagem, isso é, em verdadeira justiça e santidade, de modo que ele pudesse conhecer a Deus, o seu criador, ama-lo de coração, e viver com ele em eterna felicidade para o louvar e glorificar”(2).
Este mesmo ensino ecoa nos 3º/4º capítulos dos Cânones de Dort – (Artigo 1):
“No princípio o homem foi criado à imagem de Deus. Foi adornado em seu entendimento com o verdadeiro e total conhecimento do seu criador e de todas as coisas espirituais. A sua vontade e o seu coração eram retos; todos os seus sentimentos, puros; o homem era, portanto, completamente santo”. (Cânones de Dort, 3º/4º capítulos da Doutrina, pg. 116).
Contudo, o todo harmônico em que foi formado o homem, é suscetível à mudanças. Deus estabeleceu um relacionamento gracioso com este homem ao cria-lo, estabeleceu uma aliança, por meio do qual ele poderia desfrutar dos mais elevados privilégios (plena vida acima da possibilidade de errar, pecar e morrer). Entretanto, foi-lhe anunciada que havia a possibilidade de desobediência, para a qual, a morte seria o castigo (Gn 2.16-17; Os 6.7). Adão não deveria seguir seu próprio caminho, mas o que Deus tinha apontado para ele. Isso evidencia que, apesar do homem desfrutar de uma formação tão privilegiada, e de ser feito à imagem de Deus, havia à possibilidade de transgredir (Gn 3.6; Ec 7.29). À luz da revelação, ficou patente, a liberdade de vontade humana, que por natureza era sujeito à mudança.

O PONTO DE PARTIDA

Tendo esclarecido a forma exaltada que o homem recebeu em sua criação, passemos a olhar mais de perto, como do estado original em que foram criados, nossos primeiros pais, Adão e Eva, se precipitam em condenação e ruína, para então, refletir sobre o que levou De Brès a sua exposição.
Fizemos referência, à luz das Escrituras, que a liberdade da vontade humana era sujeita a mudanças. E, é exatamente isso que fica explicitado no relato bíblico da queda, que se encontra em Gênesis 3. Sobre o relato, algumas observações podem ser propostas: 1. A mulher não transgrediu a lei de Deus por si só, mas foi seduzida pela serpente; 2. A tentação ocorreu na forma de um ataque ao mandamento de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal; 3. Esse mandamento tinha o objetivo de fazer que a obediência de Adão se tornasse manifesta. Isso indica que obedecer não estava além de suas forças; 4. Satanás transformou o mandamento em uma tentação, atacando de maneira sorrateira, a obediência do homem; ele lança dúvida na alma de Eva sobre as intenções de Deus, apontando-os como uma violação da liberdade e dos direitos do homem; 5. Isso gera incredulidade e leva a pensamentos pecaminosos acerca das razões pelas quais Deus tinha dado esse mandamento – manter o homem em sujeição, impedindo-os de ser “como Deus”; 6. Esse emaranhado de pensamentos leva Eva a ver a transgressão com um caminho para a vida, quando Deus disse que sua transgressão teria como resultado a morte. 7. Por consequência, a árvore se torna “agradável aos olhos e desejável para dar entendimento”; 8. O desejo concebido conduziu ao ato pecaminoso – Eva “tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Gn 3.6; Tg 1.15). Adão subscreveu as mentiras de satanás que acusam Deus de egoísmo, inveja e maldade. Ele desprezou a verdade e se encurvou a mentira, renunciando a autoridade de Deus.
Podemos concluir citando Berkhof, que sobre o primeiro pecado expressou a distinção dos seguintes elementos: “no intelecto revelou-se com incredulidade e orgulho, na vontade, com desejo de ser como Deus, e nos sentimentos, como uma ímpia satisfação ao comer do fruto proibido” (Teologia Sistemática, pg.206)(3). Já Bavinck que descreve o pecado dos nossos pais e, por conseguinte, os nossos, expressando que “começa com o obscurecimento do entendimento, continua através da excitação da imaginação, estimula o desejo no coração e culmina em um ato de vontade” (Teologia Sistemática, pg.246)(4).

O CERNE DA QUESTÃO

Da queda no pecado somos conduzidos à questão da imputação do pecado de Adão. Aqui, reside o ápice de nossa temática no processo de compreensão das sentenças expressas por De Brès: a corrupção e a conseguinte imputação do pecado de Adão aos seus descendentes.
Ao pecar, uma mudança tremenda aconteceu com nossos primeiros pais; imediatamente tiveram vergonha um do outro, seus olhos se abriram e percebendo que estavam nus; tentaram se esconder de Deus e um do outro, então colheram folhas de figueira para esconder sua nudez. Eles se sentiram culpados e impuros. Como comparecer perante Deus, cobertos de vergonha e desgraça? Eles fugiram e se esconderam, evidenciando a perda da comunhão com Deus. A completa corrupção da natureza aparece, uma depravação total que contaminou todos os poderes e faculdades do corpo e da alma. Por conseguinte, passaram a ter uma consciência corrupta e culpada que os acusavam.
Essa contaminação se espalha por toda a humanidade. Isso transparece com clareza, já entre os primeiros descendentes (Caim matando seu irmão Abel – Gn 4.8; Lameque – matando dois homens por motivo fútil e tendo duas esposas – Gn 19,23) e da geração anterior ao dilúvio é dito que sua maldade crescia muito e que seus pensamentos eram sempre e somente para o mal (Gn 6.5,11,12). A corrupção atingiu patamares tão elevados que levou Deus a exterminar toda a raça, a exceção de Noé e sua família. Entretanto, a geração seguinte continua tendo maus desígnios desde sua mocidade (Gn 8.21). E, assim, prossegue por toda a Escritura (Jó 14.4; 1 Rs 8.46; Sl 143.2; Sl 51.5; 58.3; Pv 20.9; Ec 7.20; Mt 9.12,13; 15.24; Rm 3.19,20; 1.18-32; 2.1-3.20; 11.32; Gl 3.22; Ef 2.1-3; Tg 3.2; 1 Jo 1.8,10). O pecado provocou uma corrupção tão profunda que, o próprio mundo se tornou uma força antagônica a Deus, onde satanás governa como um príncipe (Jo 14.30; 16.11), e é claramente expresso que quem se faz seu amigo, torna-se inimigo de Deus (Tg 4.4). E seguir-se-ia uma interminável lista. Todavia, parece-me suficiente para esclarecer, que do ponto de vista bíblico “toda a história do mundo é uma prova do fato de que a raça humana, tanto em conjunto, quanto em seus membros individuais, é culpada diante de Deus, tem uma natureza moralmente corrompida, e está sempre sujeita à decadência e à morte”(5).
Como se deu tamanha propagação da corrupção? Calvino diz que essa propagação é oriunda da perda da imagem celeste:
“Então, depois de que nele foi apagada a imagem celeste, não sustentou sozinho essa pena pela qual, no lugar da sabedoria, da virtude, da santidade, da verdade, da justiça – das quais fora revestido como ornamentos – odiosamente acometeram a peste, a cegueira, a impotência, a impureza, a vaidade, a injustiça, mas envolveu e mergulhou sua posteridade em cada uma dessas misérias. Tal corrupção hereditária... os antigos chamaram pecado original... transmitido desde o ventre materno” (Institutas da Religião Cristã. Livro II, pg. 230).
A luz do exposto acima transparece com mais nitidez a raiz das expressões de De Brès. No entanto, devemos nos perguntar: Como somos feitos culpados em Adão? Por genética, imitação ou imputação? Os Cânones de Dort ao tratar sobre a corrupção do homem, esclarece a opinião na igreja acerca de uma das questões acima (a imitação pelagiana – na qual não nos determos no momento), ao passo que nos ajuda na compreensão das restantes:
“Depois da queda o homem se tornou corrompido e como um pai corrompido gerou filhos corrompidos. Assim a corrupção, de acordo com o justo juízo de Deus, propagou-se de Adão a todos os seus descendentes – a exceção de Cristo somente – não por imitação, como afirmam os antigos pelagianos, mas pela propagação de uma natureza pervertida”.
“Portanto todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer bem salvador, inclinados para o mal, mortos em pecados e escravos do pecado.” (Cânones de Dort, 3º/4º capitulo, artigos 2 e 3 pg.116)
Essa exposição reflete o consenso reformado sobre como nos tornamos culpados em Adão – por imputação imediata – em virtude de nossa união, natural e federal, com Adão. Porém, isso requer elucidações:
Primeiramente, convém definir imputação. Imputar é pôr algo na conta de alguém; tratando-se do pecado, é a obrigação judicial de satisfazer a justiça (o que anula a acusação de uma aplicação arbitrária). Nossa temática é uma excelente ilustração da natureza desta imputação – a imputação do pecado de Adão ao homem, dos pecados do homem a Cristo, e da justiça de Cristo aos crentes. Todos, a uma, são cientes de sua indignidade e miséria, e que são merecedores da ira e condenação de Deus, entretanto se regozijam nos méritos de Cristo, que fez expiação pelos pecados, e os concedeu sua justiça, fazendo-os legalmente justos.
Em segundo lugar, convém definir nossa relação com Adão. A base da imputação é a união da humanidade com ele. Ele foi designado cabeça natural e federal de toda sua posteridade . As promessas e ameaças, bem como domínio com que foi investido, foram dito a ele em sua capacidade representativa, sendo transmitida também a sua posteridade, o que inclui também, os males provenientes da queda.
Como podemos comprovar estas afirmações à luz das Escrituras? Em primeiro lugar, podemos referir o próprio Deus, que se declarou a Moisés como sendo aquele “que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração” (Êx 34.7). Jeremias o descreve como aquele que usa “de misericórdia para com milhares e retribuis a iniquidade dos pais nos filhos” (Jr 32.18). Uma visão panorâmica das Escrituras ilustrará o exposto, pois apresenta que a imputação do pecado de Adão ao restante da raça não é um caso isolado, mas que caracteriza de modo geral a maneira de Deus tratar o mundo. Charles Hodge descreve:
“Este princípio representativo impregna todas as Escrituras [...] A venda que Esaú fez de sua primogenitura excluiu seus descendentes do pacto da promessa [...] No caso de Datã e Abirão, bem como no de Acã, ‘suas mulheres, seus filhos e seus pequeninos’ pereceram em decorrência do pecado de seus pais [...] Disse-se a Davi: ‘Não se apartará a espada jamais de tua casa, porquanto me desprezastes e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher’. Ao desobediente Geazi, foi dito: ‘A lepra de Naamã se apegará a ti e à tua descendência para sempre’. O pecado de Jeroboão e dos homens de sua geração, determinou o destino das dez tribos para toda a história. A imprecação dos judeus, quando exigiram a crucificação de Cristo, ‘Caia sobre e nós o seu sangue e sobre os nossos filhos’ continua gravitando sobre o disperso povo de Israel” (Teologia Sistemática, pg.631).
Corroborando com Hodge podemos mencionar que o plano de redenção repousa sobre este mesmo princípio. Pois, a aliança que Deus firmou com Abraão, não incluiu só ele, mas todos os seus descendentes e, o sistema cerimonial na antiga dispensação tinha sua raiz na ideia de transferência de culpa ou de castigo a outrem. Isso nos leva inevitavelmente a Cristo em quem nos foi estabelecida uma eterna e nova aliança, não com sangue de animais (que não pode tirar pecados), mas com seu precioso sangue, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito. Aqui reside a suma de ensino das Escrituras, da expiação oferecida por Cristo. Ele carregou nossos pecados e foi feito maldição por nós, carregando sobre si, em nosso lugar, o castigo da lei.
A passagem bíblica de Romanos 5.12-24 estabelece a ligação entre Adão e Cristo e constitui a base para nossa justificação. Mas, qual o ensino básico nela estabelecido? Ilustrar o método de salvação inferido por Paulo acerca do trabalho de Deus. Paulo havia descrito que todos os homens são pecadores, e por isso, culpados diante de Deus e debaixo da condenação da lei. No texto referido, ele faz uma analogia da condenação em que a raça humana se precipitou pelo pecado de Adão, pois todos estavam representados nele, e da justificação judicial dos que estão confiados na obediência de Cristo. O que se conclui? Como o primeiro pecou e isso foi a base da condenação de sua posteridade, a justiça do segundo é a base da justificação dos que nEle estão. A rejeição de um, inclui, consequentemente, a rejeição do outro.

UMA PALAVRA FINAL

À luz do exposto, sob a perspectiva bíblica e teológica, ficamos convencidos que De Brès ao descrever a corrupção da humanidade como decorrente da desobediência de Adão estava, simplesmente, expondo as verdades contidas na Palavra de Deus.
Quanto a sua descrição como “um mal hereditário que contamina até as criancinhas no dentre de suas mães”, requer uma explicação por partes. É evidente, pelas mesmas razões expressas quanto à corrupção, que as criancinhas são herdeiras desta corrupção e depravação, conforme expusemos por textos bíblicos e citações. A perversidade própria acompanha o homem desde seu nascimento; descendemos de uma semente impura e consequentemente, nascemos infectados pelo pecado, sujos e manchados aos olhos de Deus. O Catecismo de Heidelberg no DS 3, respondendo a pergunta 7, reza que por causa da desobediência de nossos primeiros pais, no paraíso, “nossa natureza tornou-se corrupta de tal modo que somos todos concebidos e nascidos em pecado”(6).
Quanto à hereditariedade do pecado, é evidente que, o vocábulo empregado por De Brès não se referia ao conceito biológico. Embora se fale sobre a nossa imundície sendo transmitida dos pais aos filhos, e que todos desde sua origem tenham sido manchados por esta corrupção, precipitados em ruína e desgraça, feitos filhos da ira desde o próprio ventre, devemos esclarecer que a alma do filho não é originada ou transferida da alma do pai, mas simplesmente que o Senhor depositou em Adão os bens que quis dar ao restante da raça e, havendo ele perdido o que recebeu, não perdeu unicamente pra si, mas para toda sua posteridade. Como disse Calvino, de quem faço as palavras de Conclusão:
“De uma raiz apodrecida, foram produzidos ramos apodrecidos, que transmitiram sua podridão a outros rebentos que deles nasciam. Assim, os filhos tiveram o vício nos pais, como se fossem corrompidos pela descendência, isto é, tal como o início da corrupção que esteve em Adão, como um perpétuo afluir, transvasasse dos ancestrais à posteridade. Com efeito, não está o contágio na carne ou na alma, mas porque assim foi ordenado por Deus: ao conferir aqueles bens ao primeiro homem, aquele simultaneamente tanto conservaria quanto perderia tanto a si quanto aos seus [...] Embora se diga que somos sujeitos ao juízo de Deus pelo pecado de Adão, isso não deve ser aceito desse modo, pois assim nos sustentaremos inocentes e desmerecedores da culpa de seu delito, mas cumpre ser dito que ele nos tenha comprometido porque estamos todos revestidos pela maldição de sua transgressão. Portanto, não provem de Adão apenas a pena que caiu sobre nós, mas reside em nós, por ele inculcado, o flagelo a que por direito é devida a pena [...] E, por isso, as próprias crianças também são culpadas, enquanto trazem consigo a condenação desde o ventre materno” (Institutas da Religião Cristã, livro II, pg. 234).
Portanto, rejeitamos o ensino herético de transmissão do pecado por imitação, dos pelagianos (junto com a igreja em sua confissão já exposta), bem como a da transferência da alma paterna no ato da geração natural. E, consideramos respondidos os questionamentos supostos que deram origem a esta pesquisa. Que a verdade bíblica e teologia professa por De Brès em sua confissão, nos conduza a piedosa devoção a Deus que nos amou em Cristo, resgatando-nos de tamanha corrupção e miséria.

CETIRB – Centro de Estudos Teológicos das Igrejas Reformadas do Brasil Instituto João Calvino Bacharel em Divindade
Simbólica I
Seminarista Elton da Silva
Professor: Clarence Bouwman
Camaragibe, 2010

NOTAS
(1) Bavinck, Teologia Sistemática, p. 227
(2) O catecismo de Heidelberg, DS 3, resposta 6
(3) Louis Berkhof, Teologia Sistemática, p. 206
(4) Bavinck. Ibidem, p. 246
(5) Bavinck. Ibidem, p. 267
(6) O catecismo de Heidelberg, DS 3, resposta 7

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A extensão do cânon do Antigo Testamento

A extensão do cânon do Antigo TestamentoAs controvérsias modernas sobre o processo de canonicidade e a classificação dos livros em gruposAs Escrituras Sagrada, como temos hoje, continua sendo alvo de questionamentos por parte de eruditos modernos. Em consequência disso, os livros bíblicos receberam várias classificações quanto a sua aceitação canônica. São elas:

Os livros aceitos por todos
Homologoumena – falar como um. Diz respeito aos livros que foram reconhecidos canônicos desde sua recepção pelo povo de Deus, e permaneceram sem questionamento ao longo do tempo.

Os livros rejeitados por todos
Pseudepígrafo – Falsos escritos. Compreende vários livros que circularam na antiga comunidade judaica. Em sua maioria, estes livros estavam baseados em verdades, e exploravam passagens que não foram reveladas em detalhes nas Escrituras Sagradas. O numero deles chegava a 17, mais o salmo 151. Podendo esse número aumentar se considerarmos as descobertas do Mar Morto. Eles foram produzidos desde 200 aC. até 200 dC., e muitos imitavam o estilo apocalíptico dos profetas do período exílico. Eles, porém, não foram reconhecidos como tendo autoridade canônica.

Os livros questionados por alguns
Antilegomena – falar contra. Constitui um grupo de 5 livros que em algum momento foi questionado pelos mestres judeus. O Cântico dos Cânticos, por sua natureza sensual. Eclesiastes, por seu ceticismo. Ester, pela ausência do nome de Deus. Ezequiel, por ser anti-mosaico. E, Provérbios, por suas incompatibilidades internas. Contudo, prevaleceu o espírito de que cada um desses livros deve ser entendido dentro de sua perspectiva espiritual.

Os livros aceitos por alguns
Apócrifos – oculto. São assim chamados, os livros aceitos pela Igreja Católica Romana como canônicos, mas rejeitado pelos protestantes como tal, apesar de reconhecerem seu valor histórico. Estes livros são os responsáveis pelas maiores controvérsias, e correspondem aproximadamente a 15 livros produzidos no período intertestamentário.

Aqueles que defendem a canonicidade dos livros apócrifos argumentam que o fato de serem citados no Novo Testamento, de estarem presente na Septuaginta, de constarem em alguns dos manuscritos mais antigos, de serem retratado nas artes cristãs, de terem sido usados por alguns pais da igreja – alcançando o ponto máximo em Agostinho que os considerou canônicos, de algumas traduções protestantes da Bíblia os incluir, de alguns deles terem sido encontrados entre os escritos do Mar Morto, legitimam a decisão tomada no Concílio de Trento, em 1546, que os declarou canônicos. Pode-se perceber que o uso abrangente destes livros, acabou levando ao seu reconhecimento por parte dos católicos romanos.

Posições contrárias à canonicidade dos livros apócrifos também foram levantados para questionar a decisão tomada em Trento.

Entre as posições contrárias à canonicidade dos apócrifos está o argumento de que o Novo Testamento não dá qualquer indicação de inspiração a estes livros. Afirmam também que a Septuaginta não é um cânon, mas uma tradução, e, Alexandria não é o berço original da autoridade do cânon, e sim, a Palestina, concluindo que o cânon hebraico não continha os apócrifos. A igreja cristã primitiva, apesar de fazer uso da Septuaginta não se refere aos apócrifos. As artes cristãs representavam acontecimentos do período interbíblico, mas isso não se constitui base para a canonicidade dos livros. Apesar de Agostinho ter considerado canônicos alguns destes livros, mas não todos, nenhum dos mais importantes Pais da Igreja anterior a ele reconheceu a totalidade dos livros apócrifos. Jerônimo, tradutor da Bíblia para o latin, recusou incluir os apócrifos em sua versão. Vale dizer também que a polêmica do Concílio e Trento, reagindo contra Lutero, e declarando canônicos os livros apócrifos, foi prejudicial à cristandade e não teve apoio geral dentro da própria Igreja católica Romana. O argumento de que os livros apócrifos eram usados nas igrejas não católicas, e que por isso deve ser levado em conta, deve ser rejeitado pois estes serviam mais nos devocionais do que na afirmação de alguma doutrina, e seu uso nos cultos nunca foi geral. Por fim, apesar da comunidade de Qumran preservar em sua biblioteca alguns escritos apócrifos, não faz referência à inspiração de nenhum destes livros.

O cânon hebraico das Escrituras foi encerrado cerca do IV século aC, e não continha os apócrifos, que são posteriores. Mesmo que estes livros tenham sido largamente usados pelos cristãos dos primeiros séculos, permaneceram considerados como não canônicos. Portanto falta aos apócrifos provas mais segura de sua canonicidade, como há provas bastante segura de sua não canonicidade.

GEISLER, Norman; NIX, Willian. Introdução Bíblica: Como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Vida, 1997. Pg 85 - 98.

Centro de Estudos Teológicos das Igrejas Reformadas do Brasil (CETIRB)
Lucio Mauro, seminsrista do CETIRB