Trazendo o Evangelho aos Filhos da Aliança-Parte 1

Trazendo o Evangelho aos Filhos da Aliança-Parte 1

TRAZENDO O EVANGELHO AOS FILHOS DA ALIANÇA.
Joel Beek

PARTE 1



Usando os meios
Após explicar o conteúdo do Evangelho a vossas crianças, é preciso saber como isto deve ser usado para confrontá-las quanto às reivindicações do mesmo.
Antes de tudo reconhecei que sois primariamente responsáveis pela evangelização de vossos filhos. Em termos práticos, isto significa assegurar que, aquela mesma visão de mundo que tendes, isto é, centrada na Bíblia e que honra a Cristo, seja encontrada nas instituições ou coisas que influenciam a vida de vossos filhos por qualquer período de tempo - seja uma igreja e seus oficiais, uma escola e seus professores, uma babá, ou o mundo de alta tecnologia dos computadores.
Crianças necessitam de coerência, particularmente quanto aos três principais meios de informação e exemplo de suas vidas: lar, igreja, escola. Esses três formam um triângulo, e nós pais somos responsáveis pelos três. Por enquanto, examinemos nossa responsabilidade em casa.
Um lar santo é o maior e o mais amplo contexto para evangelização, e envolve os seguintes ingredientes:

1. Oração.

É Thomas Brooks que afirma que "uma família sem oração é como uma casa sem telhado, sujeita às tempestades do céu." Nós precisamos orar com nossas crianças e por nossas crianças. A prática de oração deve:


a) Ser habitual: Em nossa programação diária, separai um tempo e lugar para oração, tendo vossas crianças no topo da lista. Oração é a primeira e melhor coisa que podemos fazer por nossos filhos. "Podeis fazer mais do que orar, depois de haverdes orado, mas não podeis fazer mais do que orar, até que tenhais orado", escreveu John Bunyan.


b) Ser espontânea: Sempre que sentirmos necessidade de orar por uma criança, devemos fazê-lo imediatamente. Nossos antepassados holandeses chamavam isto de oração “com o chapéu na cabeça”, No significado literal, ou seja, oferecer orações curtas e pungentes enquanto estiver executando tarefas tais como: dirigindo na estrada, lavando e passando roupa, estudando, ou fazendo qualquer outra coisa. Se hesitarmos quando recebemos tais impulsos, o desejo e ímpeto de orar serão grandemente diminuídos.


c) Levar em conta a aliança. Devemos orar por nossos filhos apelando pela relação pactual que eles têm com Deus. Deus colocou Seu nome ao lado deles no batismo e os reivindicou para Si mesmo. Em vossas orações, apontai as frontes batizadas de vossos filhos. A exemplo de Davi, apelai, “atende a Tua Aliança”(salmos 74:20), por amor de tua Glória.


d) Ser específica. Nossas orações muitas vezes são cheias de chavões. Nossos filhos necessitam de petições deliberadas e específicas, que travem guerra contra a cultura hostil de nossos dias, cultura esta que luta querendo ganhar as almas deles. Orações pelas necessidades específicas de cada filho devem ser feitas individualmente pelos pais, mas também juntos.Devemos orar por conversão, por fé salvadora, por graça preservadora, para cada filho,individualmente.
Quando estivermos orando por filhos crentes, devemos pedir mencionando cada bem-aventurança e frutos do Espírito. Nós devemos orar para que as mentes desses filhos sejam cheias das boas coisas mencionadas em Filipensses 4:8 e que seus desejos sejam cercados e refreados pelos Dez Mandamentos. Devemos orar também por nós mesmos, como pais, rogando por forças para as tarefas específicas, por sabedoria para tomar boas decisões, e por paciência e persistência no exercício diário de nossos deveres de pais.


e) Ser séria e sincera. A oração é nossa maior arma na criação de uma família cristã. Como diz o velho ditado: "O diabo treme quando vê o mais fraco dos santos de joelhos". Busquemos graça para orar como fazia Alexander Whyte por seus filhos: Oh! Deus todo poderoso, nosso Pai Celestial, dá-nos uma semente que esteja junto a ti! Prostrai-nos a nós mesmos e nossas famílias com pobreza, se de outro modo nossa semente não estiver junto a Ti! Oh, Deus, dá-nos nossas crianças. Dá-nos nossas crianças. Pela segunda vez, e por um nascimento muitíssimo mais sublime, dá-nos nossas crianças para estarem do nosso lado em Tua santa aliança. Pois teria sido melhor se jamais tivéssemos sido a noiva; teria sido melhor se tivéssemos ficado assentados por todos os nossos solitários dias, a menos que venham a estar junto a Ti. Mas tu, oh Deus, Tu és um Pai, e tens em Ti um coração de Pai. Ouça-nos, portanto, por nossos filhos, oh, nosso Pai. Em tempo e fora de tempo, não subiremos ao nosso leito, não daremos sono aos nossos olhos nem deixaremos toscanejar nossas pálpebras, enquanto não estivermos junto a Ti, nós e nossa semente.
Certa vez escreveu Charles Spurgeon,"Como pode um homem ser um cristão e não amar sua descendência? Como pode um homem ser um crente em Jesus Cristo, e ainda assim ter um frio e duro coração para com seus filhos, no tocante às coisas do Reino? É nossa obrigação educar nossos filhos no temor do Senhor; e embora não possamos dar-lhes graças, temos a graça de orar a Deus para que graça lhes seja concedida; e, em resposta às nossas muitas súplicas, Ele não nos despedirá, mas terá prazer em considerar nossos suspiros e lamentos''.
A mãe de Spurgeon era uma que orava assim.
“Spurgeon lembra-se de quando, sentado no seu colo, sentia suas tépidas lágrimas enquanto orava, ‘‘Oh Senhor, Tu sabes se essas orações não serão respondidas na conversão de Charles, pois essas petições que darão testemunho contra ele no dia do juízo”.
A lição não foi desperdiçada em seu filho. “Produzia terror em meu coração, o pensamento de que aquelas orações de minha mãe dariam testemunho contra mim no juízo’’, escreveu Charles Spurgeon anos mais tarde”.
Buscai graça através da oração para trazer sobre vossas casas as bênçãos do Deus todo poderoso (Mt 11:12). Orai com sinceridade, lembrando-se das ricas promessas de Deus quanto a responder orações (Is 30:18-19; Mt 7:7-8; João 16:23-24). Confiai nos compassivos ouvidos de Deus (Hb 11:6), Orai com fé e persistência (Tiago 1:5-7; Lucas 18:1), de acordo com a vontade dEle (1 João 5:14-15), confiando que Ele responderá em Seu tempo.Como escreveu John Witherspoon, único ministro na lista dos que assinaram a carta de Declaração de Independência dos Estados Unidos:

"Notáveis exemplos posso eu contar-lhes,
De pais que por longo tempo pareciam laborar em vão,
E que, no entanto, contentados foram,
Em alguma mudança verem, afinal.
E também o exemplo de alguns filhos,
Embora que depois da morte de seus pais,
Produziram frutos quando parecia
Que a semente em tenra idade neles semeada,
Havia por completo se desperdiçado".

Somos advertidos quanto ao fato de que Deus fará derramar Sua ira sobre famílias que não invocam Seu nome. Porém, bem-aventurados serão aqueles filhos que mais tarde poderão dizer: "As orações de meus pais tementes a Deus livraram-me de muito pecar e conduziram-me ao Senhor Jesus Cristo".


Este Artigo foi publicado em Português pela revista Os Puritanos, Nº 1 de 2005 - Os Hinos do Povo de Deus.

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