ESTAMOS SOB A LEI OU SOBRE A GRAÇA DE DEUS?

ESTAMOS SOB A LEI OU SOBRE A GRAÇA DE DEUS?
Solano Portela

Muitas interpretações erradas podem surgir de um falho entendimento das declarações bíblicas sobre esta questão. Com efeito, Paulo ensina que “não estamos sob a lei mas sob a graça” (Rm 6: 14). Mas o que quer dizer “não estar sob a lei de Deus?” Perdeu ela a sua validade. É apenas um registro histórico? Estamos em uma situação de total desobrigação para com ela? Vamos apenas subjetivamente, “amar”, sem direcionamento ou ações concretas que comprovem este amor? Como vimos acima, temos que considerar os múltiplos aspectos da “lei de Deus”: Lei Civil ou Judicial, Lei Religiosa ou Cerimonial e Lei Moral. Se considerarmos que esses três aspectos apresentados da lei de Deus são distinções bíblicas, podemos afirmar:



• Não estamos sob a Lei Civil de Israel, mas sob om período da Graça de Deus, em que o evangelho atinge todos os povos, raças, tribos e nações.


• Não estamos sob a Lei Religiosa de Israel, que apontava para o Messias, foi cumprida em Cristo, e nos prende sob nenhuma de suas ordenanças cerimoniais, uma vez que estamos sob a graça do evangelho de Cristo, com acesso direto ao trono, pelo seu Santo Espírito, sem a intermediação dos sacerdotes.


• Não estamos sob a condenação da Lei Moral de Deus, se fomos resgatados pelo seu sangue, e nos achamos coberto por sua graça.


• Não estamos, portanto, sob a lei, mas sobre a graça de Deus, neste sentido. Entretanto...


• Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela continua representando a soma de nossos deveres e obrigações para com Deus e para com o nosso semelhante.


• Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela, resumida nos Dez Mandamentos, representa a trilha traçada por Deus no processo de santificação, efetivada pelo Espírito Santo em nossas pessoas (João 14: 15). Nos dois últimos aspectos, a própria Lei Moral de Deus é uma expressão de sua Graça, representando a objetiva e proposicional revelação de Sua vontade.



É verdade, portanto, que, nos sentidos cima, não estamos sob a lei, mas sob a graça de Deus. Devemos cuidar, entretanto, para nunca entender esta expressão como algo que invalida a lei de Deus aos nossos dias. Mais importante, ainda, devemos cuidar para não transmitir conceitos falsos e não bíblicos, estabelecendo um falso contraste entre a lei e a graça, como se ambos não procedessem de Deus. Teologicamente, chamamos de antinomianismo, a filosofia que expressa total independência das pessoas para com a lei de Deus; que declara a invalidade dela para os nossos dias. Muitos ensinamentos no campo evangélico são, na pratica e em essência, antinômios e totalmente subjetivos – ou seja, desprezam a lei de Deus, negam a sua validade e colocam a interpretação subjetiva de cada um acima das determinações objetivas reveladas por Deus, na Bíblia. Quando os reformadores defenderam a expressão Sola Scriptura – somente as Escrituras, estavam reafirmando exatamente isso, que devemos sempre nos prender à objetiva revelação de Deus em sua Palavra, e não nas especulações ou tradições dos homens.


Quando examinamos a lei de Deus sob esses aspectos, muitas perguntas são pertinentes e devem ser individualmente respondidas. Será que temos a percepção correta de nossas obrigações para com Deus e para com o nosso próximo? Será que prezamos adequadamente a lei de Deus? Será que estamos utilizando o fato de estarmos “sob a graça” com desculpas para desprezarmos a lei de Deus?


Vemos, também, que qualquer tentativa de descartar as considerações bíblicas e um estudo mais profundo da Pena de morte, com a alegação – “Ah, esta foi uma determinação para o tempo da Lei, e nós estamos agora sob a graça...”, constitui-se em uma afirmação precipitada e sem significado, pois não leva em consideração os diversos aspectos e nuanças da Lei de Deus.


Texto extraído do livro A Pena Capital e a Lei de Deus


Uma Posição Bíblica Para os Evangélicos


Solano Portela


Editora: Os Puritanos

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