quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O CATECISMO E OS FILHOS DA ALIANÇA

O CATECISMO E OS FILHOS DA ALIANÇA

Desde os primórdios da reforma, o uso dos catecismos foi adotado como modo prático da exposição das Escrituras não apenas aos pequenos, mas também aos adultos.
Deste princípio surgiram os catecismos de Heidelberg (1563) e Westminster (1647).
Com o ataque dos remonstrantes à fé reformada, acusando-a de estar pregando ensinos humanos, paulatinamente muitas Igrejas, mesmo reformadas deixaram de lado o uso dos catecismos nas pregações de domingo.
O que é e porque devemos ter pregações usando o catecismo nos sermões de domingo.
O catecismo não é um documento contendo ensinos humanos. É um documento humano que expressa a verdadeira fé bíblica na história da salvação. Este documento não é apenas uma forma de ensinar as Escrituras, mas salva-guardar a Igreja de dois erros: ensinos heréticos e omissão do ensino de toda a bíblia.
A pregação de sermões baseados no catecismo, garante à Igreja que ela conhecerá toda a verdade de Deus, no lugar de ficar a mercê de pregações localizadas. O crente amadurece quando ele conhece tudo que Deus ensina. O oposto também é verdadeiro. Quando o crente deixa de receber todo o ensino das Escrituras, ele deixa de “crescer na graça e no conhecimento”.
Por isso algumas Igrejas de tradição reformada permanecem fieis aos princípios defendidos pelos reformadores e que foram ratificados pelos sínodos, como aconteceu em Dort (1618-1619).
Os filhos da aliança devem receber os mesmos ensinos. Não há nenhuma evidência de que no Novo Testamento as crianças eram deslocadas do ensino. Não vemos isso nem nas palavras de Jesus (deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus), nem nos ensinos dos apóstolos (doutra sorte, os vossos filhos seriam imundos; mas, agora, são santos). A conclusão é que as crianças participavam com os pais dos cultos e outros eventos.
Para saber mais sobre esse assunto, clique no link “catecismos” localizado na coluna à esquerda.

Por Lucio Mauro

O QUE QUEREMOS DIZER COM COMUNHÃO DA MESA

O QUE SIGNIFICA COMUNHÃO DA MESA

Essa é uma prática histórica muito antiga. Remonta ao período da Igreja do Antigo Testamento, passando pela Igreja dos tempos apostólicos e ganhou novo folego na Reforma Protestante.

Os grandes reformadores, os gigantes puritanos, ficaram conhecidos não apenas por suas habilidades com as Escrituras, mas também por suas práticas diárias onde aplicavam em suas vidas e nas de suas famílias tudo o que aprendiam na Bíblia.

Essa preocupação de colocar em suas vidas os ensinos de Jesus, os levou à prática de tratar a refeição como um momento sagrado. Reconheceram que o alimento era uma dádiva de Deus e por isso rendiam graças a Ele com leitura da Bíblia, oração e louvores. O momento antes das refeições passou a ser um pequeno culto doméstico.

Nas famílias de tradição reformada pratica-se a comunhão da mesa três vezes ao dia, no desjejum, no almoço e no jantar - em alguns casos acrescenta-se os horários de lanches, mas isso é dificio no Brasil.

Deve-se ter o cuidado para que todos os membros da família estejam presentes, exceto por ausência justificada. Mas, pelo menos no domingo, recomenda-se que todos estejam juntos.

Esperamos que essa prática traga muitas bênçãos para as vidas de muitas famílias como tem acontecido com a nossa. A comunhão da mesa ajuda a incultir nas mentes dos nossos filhos pequenos o que apenas os ensinos e recomendações as vezes demora muito pra fazer; também promove a comunhão e aproxima os membros da família.

Pense nisso e pratique.

Lucio Mauro

COMO APLICAR OS ENSINOS BÍBLICOS AOS NOSSOS FILHOS

COMO APLICAR OS ENSINOS BÍBLICOS AOS NOSSOS FILHOS?

JOEL BEEK RESPONDE: "Antes de tudo reconhecei que sois primariamente responsáveis pela evangelização de vossos filhos. Em termos práticos, isso significa assegurar que, aquela mesma visão de mundo que tendes, isto é, centrada na Bíblia e que honra a Cristo, seja encontrada nas instituições ou coisas que influenciam a vida de vossos filhos por qualquer período de tempo - seja uma Igreja e seus oficiais, uma escola e seus professores, uma babá, ou o mundo de alta tecnologia dos computadores.

Crianças necessitam de coerência, principalmente quanto aos tres principais meios de informação e exemplos de suas vidas: lar, igreja, escola. Esses tres formam um triângulo, e nós pais somos responsáveis pelos tres. (...) Um lar santo é o maior e mais amplo contexto para evangelização"

Para mais informações sobre esse assunto acesse o post "Trazendo o Evangelho aos Filhos da aliança", no link "Estudos sobre Família do Pacto"

HERANÇA REFORMADA: ORAÇÃO PARA A FAMÍLIA

HERANÇA REFORMADA: ORAÇÃO PARA A FAMÍLIA

Nos tempos da reforma protestante, além de Genebra, a Escócia, França, Holanda, Inglaterra, e quase todo continente europeu estava envolvido com algum tipo de liturgia que continha orações modelos para diversos momentos: Culto Público, Ceia, Batismo, Catequese, Instruções. Mesmo nos lares, as famílias faziam uso de algumas orações herdadas dos pais reformados.


Essa prática de utilizar orações modelos, ainda que pareça estranha para nós hoje, era comum no período da reforma, onde quase toda igreja reformada tinha um “Livro de Orações”. Essa herança tem a garantia da ortodoxia e em espírito de santidade nos eleva a Deus de forma reverente, humilde e responsável.


Homens grandemente comprometidos com as verdades das Escrituras e compromissados com um culto verdadeiro, livre de inovações que pervertem a adoração simples; homens piedosos e determinados com a causa do evangelho assim nos ensinam através da oração como nos dirigir a Deus de forma apropriada.


Começando pelas orações modelos, tanto nós como nossos filhos, poderão aperfeiçoar as próprias orações dentro dos padrões confessionais das igrejas de tradição reformada.

sábado, 21 de novembro de 2009

HOMESCHOOLING. Homeschooling no Brasil Por Oziel Alves

Homeschooling no Brasil Por Oziel Alves

Há algum tempo encaminhado ao Congresso Nacional o Projeto de Lei – n° 3518/2008 – que propõe a regulamentação do ensino domiciliar de 1° a 8° série no país. A prática, conhecida como homeschooling, “é legal e comum” em muitos países, porém, ainda não-reconhecida no Brasil.

Nem bem os filhos chegam a idade escolar e o questionamento “Em que escola matricular as crianças?” passa a ser uma constante na vida daqueles pais que se preocupam em garantir uma educação de qualidade para os pequenos. Escola pública ou privada? Laica, Católica, Luterana, Presbiteriana, Metodista, Adventista, Batista ou apenas “cristã” sem qualquer viés denominacional?

Para a maioria dos pais, questões orçamentárias, princípios pedagógicos, orientação religiosa, capacitação dos professores e infraestrutura são fatores determinantes na hora de escolher a instituição; porém, para outros, nada disso - nem mesmo a LDB, uma lei estabelecida pelo Governo Federal, que entre outras coisas, determina ser “dever ‘dos pais ou responsáveis’ efetuar a matrícula dos menores, a partir dos seis anos de idade, no ensino fundamental” -, parece convencê-los de que, lugar de criança é na escola. Para estes pais, a escola tradicional, seja ela qual for, não oferece um ambiente moral, condizente para com seus princípios, tampouco cumpre satisfatoriamente o papel que se propõe quanto a preparar o educando para ocupar seu espaço no mercado de trabalho e na sociedade, por isso ensiná-los em casa, longe dos bancos escolares, lhes parece a melhor opção.

A grande questão, no entanto, é que a educação domiciliar no Brasil - diferentemente de alguns países de primeiro mundo (que há décadas legalizaram o homeschooling) como os Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Nova Zelândia etc -, não é reconhecida pelo Ministério da Educação. Aqui, todo o pai ou responsável que deixar de matricular um filho na escola, pode ser processado pelo Ministério Público, pelo crime de abandono intelectual, sob penas que vão da multa a perda temporária ou definitiva da guarda da(s) criança(s). Uma ameaça, que apesar do rigor, não impede que muitas famílias continuem firmes no propósito de ensinar no lar.

Esta é a situação da família Bueno, composta pelo casal de professores - Josué, 47 e Darcilia, 37 -, que tem 9 filhos e há 13 anos se dedicam integralmente a educação domiciliar. “Começamos desde que nossa primeira filha era uma nenezinha”, afirma José Bueno, que é formado em Letras e Teologia, exerceu a função de pastor por 11 anos, na cidade de Jardim (MS), mas hoje, depois de ser denunciado à Promotoria Pública pelos próprios familiares, mudou-se para o Paraguai. No entanto, continua a exercer a função de professor na rede pública em uma cidade na fronteira entre os dois países. “Decidimos educar nossos filhos em casa porque entendemos que eles são prioridade em nossa vida e merecem o nosso melhor. Eles nos foram dados por Deus e a Ele daremos conta de sua formação educacional, emocional, cultural e principalmente espiritual”. Quanto a instrução dos pequenos, Bueno é enfático “Os resultados tem sido muito superiores aos que meus alunos, na mesma idade tem alcançado na escola”.

Um outro caso bastante divulgado no Brasil é o do casal Cleber Nunes, 44 e Bernadeth Nunes, 40, pais de Davi, Jônatas e Ana – recentemente entrevistados por Enfoque -, que há 2 anos e meio decidiram renunciar à grande parte das atividades profissionais que exerciam, para dedicarem mais tempo a tarefa de educar os filhos no lar. O casal, que decidiu afastar os garotos da escola no início de 2006, após concluírem a 5° e 6° série, respectivamente; na época, foi duramente criticado e, por conseguinte denunciado ao Conselho Tutelar da cidade de Timóteo (MG), que comunicou o fato ao Ministério Público.

Acusados de crime de abandono intelectual, os Nunes decidiram inscrever os dois filhos no vestibular da Faculdade de Direito de Ipatinga (MG) com a finalidade de provar que eles não estavam abandonados intelectualmente, já que a Justiça aplicou a sentença sem sequer ouvir o casal, nem as “vitimas”. E conseguiram, pois os garotos foram aprovados com excelente classificação -, 7° e 13° lugar, competindo em igualdade de condições com candidatos concluintes do ensino médio. “Em casa, nosso filhos estudam cerca de 6 horas por dia, incluindo informática, inglês e hebraico. Brincam e se sociabilizam com os amigos, como qualquer outra criança. Tenho certeza de que aqui o aproveitamento deles é bastante superior ao que vinham obtendo na escola tradicional” afirma Nunes.

ENSINO TRADICIONAL NO BRASIL

Segundo o SAEB (Sistema de Avaliação do Ensino Básico), 74,8% dos alunos da rede privada e 97,2% dos estudantes da rede pública, estão abaixo do índice estabelecido pelo próprio Governo Federal. Este panorama refere-se apenas aos conhecimentos da Língua Portuguesa, pois na Matemática e nas Ciências a situação é um pouco pior. O IDEB (Índice Nacional da Educação Básica) mostra que a média brasileira, recentemente divulgada pelo governo, é de 4,2 numa escala de 0 a 10. No PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), aplicado em 2003 e 2006, o Brasil - entre as 57 nações avaliadas - ocupou as últimas posições em todos os critérios analisados.

O IBOPE, através do Instituto Paulo Montenegro (http://www.ipm.org.br/), confirma que na faixa etária de 15 a 64 anos, 72% dos brasileiros podem ser considerados “analfabetos funcionais”, ou seja, conseguem ler palavras mas não conseguem entender um simples texto. “Isso tudo sem falar na exposição constante à violência, ao bullying, às drogas, e à educação sexual precoce e imprópria a que as crianças tem sido submetidas na escola desde as séries iniciais. Se os pais têm direito de tirar seu filho de um hospital e tratá-lo em casa, mesmo que isto signifique risco para sua vida, porque não podemos fazer o mesmo em se tratando da educação, já que ele está exposto a riscos que podem trazer prejuízos irreversíveis? Que contrapartida eu tenho para investir 200 dias por ano em uma instituição com a performance demonstrada pelos índices acima? Vale a pena correr estes riscos? ”, questiona Nunes.

A polêmica chamou a atenção dos maiores veículos de comunicação do Brasil, dentre eles a Rede Globo, Record, Band, Rede TV, Revista Época, a Folha de São Paulo e agora a discussão deve se estabelecer, também no Congresso Nacional.

No dia 5 Junho de 2008, os Deputados Federais, Miguel Martini (PHS/MG) e Henrique Afonso (PT/ AC) apresentaram um Projeto de Lei (3518/2008) ao Congresso Nacional, propondo o reconhecimento e a regulamentação da educação domiciliar de 1° a 8 série no país. Um projeto, que, segundo o Dep. Martini, “surgiu como uma resposta aos apelos de inúmeras famílias que nos contataram desejando dar aos filhos uma educação de qualidade desvinculada dos conceitos e valores que algumas unidades de ensino querem impor”.

Como forma de garantir ao Governo um maior controle sobre o método, o projeto propõe ainda que anualmente as crianças sejam submetidas a uma avaliação teórica para verificação do progresso educacional. As provas – aplicadas em instituições da rede pública de ensino -, serviriam como um instrumento de controle para que o Governo pudesse “renovar” ou “cancelar” a licença conforme os resultados da avaliação. Assim, se o projeto for aprovado, pais cujos filhos alcançarem a média mínima nacional poderão ter suas licenças automaticamente renovadas. Porém, àqueles cujos filhos obtiverem resultados abaixo do mínimo estabelecido devem receber uma licença temporária por mais um ano, ficando a “renovação” ou “cancelamento definitivo”, a cargo do desempenho do aluno na prova de recuperação.

Para Julio Severo, escritor, autor do blog “escolaemcasa.blogspot.com” e um ferrenho defensor do homeschooling desde 1991, “a proposta de avaliar os alunos não é excelente, mas diante do total controle que o Estado possui nas decisões sobre as crianças, tal opção é o que diríamos ‘melhor do que nada’. Quando o Estado domina tudo numa área, a conquista de um pouco já é uma vitória, por isso precisamos pegar o que está aí no momento, até surgirem oportunidades melhores”.
Outra ponderação é a do professor Luiz Carlos Faria da Silva – pai de Lucas, 10 e Julia, 8 - Doutor em Educação, professor da Universidade Estadual de Maringá (RS) e também adepto do ensino domiciliar, que não concorda com a formulação da lei. “Do jeito que está, a lei restringirá o ensino domiciliar apenas aos pais. E se eles quiserem contratar individualmente um professor? E se os pais quiserem formar um grupo de crianças de duas ou mais famílias para seguir um programa de estudos cujas atividades sejam coordenadas por pessoas de sua confiança?

Ao que tudo indica o debate está apenas começando, ou melhor, sendo retomado, já que há 14 anos, em 1994 um Projeto de Lei (4657/1994) semelhante a este, de autoria do ex-deputado João Teixeira (PL/MT) fora submetido a apreciação da Câmara Federal, porém arquivado no ano seguinte (1995) - já com parecer contrário - devido a não reeleição do parlamentar.

Nos próximos meses a questão que deve nortear a discussão é: “afinal, a educação domiciliar é viável no Brasil, assim como tem sido nos países de primeiro mundo?”. Para Eliane Bragança, supervisora pedagógica da Escola Cristã Jerusalém de Gravataí (RS), a resposta é não. “Acho uma idéia lindíssima para países de Primeiro Mundo. Porém, no Brasil só seria aplicável àquelas famílias com nível intelectual bastante elevado. O papel de educar é dos pais, porém ensinar é para quem teve preparo acadêmico para este fim. Onde ficam a didática, as estratégias e metodologias que a Pedagogia e as Licenciaturas estimulam e incentivam?”

No que depender do Ministério da Educação, a resposta também deve ser negativa, no entanto, a assessoria do Ministro Fernand Haddad, não quis se posicionar, alegando que “faz parte da política de Comunicação Social do MEC não comentar projetos ainda em tramitação no Congresso Nacional, já que durante as apreciações nas Comissões e em plenários, mudanças podem ser feitas ao texto original”.

O tema é novo e a discussão ainda é muito recente no Brasil. Prós e contras serão avaliados. “Sabemos que o debate será polêmico e empolgante.