Os Sacramentos na Tradição Reformada.


Klein, Carlos Jeremias.

Os Sacramentos na Tradição Reformada. A presença da teologia sacramental zuingliana em igrejas no Brasil. Fonte editorial, 2005.

A obra do professor Carlos klein supre uma das grandes carências na teologia dos sacramentos de inspiração protestante. O protestantismo brasileiro apresenta atualmente uma flagrante necessidade de compreender mais afirmativamente o lugar dos sacramentos na vida das comunidades. O culto protestante é uma dimensão da igreja das mais afetadas por práticas que se sedimentam sem fundamento bíblico e teológico. Sem dúvida temos aqui um dos pontos críticos do protestantismo proveniente da Reforma. A ceia do Senhor como um componente essencial da vida e da auto compreensão da igreja mesma, necessita um estudo mais acurado. A obra do professor Klein, além da originalidade, tem o mérito de estudar as fontes primárias da teologia sacramental reformada, e de relacioná-las com o cenário e prática nas igrejas locais hoje. Para tanto, foi realizada uma cuidadosa pesquisa de campo, especialmente em igrejas locais reformadas, e em escolas de teologias no Brasil. O estudo dá atenção especial à presença do pensamento de Zuinglio na evolução da teologia da ceia do Senhor no contexto brasileiro. Essa influência produziu um enfraquecimento da consciência e da vida sacramental das comunidades reformadas. O autor desenvolve um estudo teológico e prático em torno do culto e suas liturgias salientando os componentes clássicos do pensamento dos reformadores e a incidência de interpretação zuingliana. O livro esclarece muitos pontos importantes das mudanças ocorridas na história do culto e, em especial, do sacramento da ceia, sem nunca perder de vista sua contribuição para uma visão contemporânea da questão. Por Rui de Souza Josgrilberg – Doutor em teologia pela faculdade protestante de Estraburgo, professor na faculdade de filosofia e Coencia da Religiaso da Universidade Metodista de São Paulo.

Carlos Jeremias Klein é pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, tendo cursado teologia no Seminário Teológico de Londrina, atual Seminário “Rev. Antonio de Godoy Sobrinho”, dessa Igreja. Em 1999 obteve o grau de Mestre em Ciências da Religião na Universidade Metodista de São Paulo e, em 2004, o grau de Doutor, também em Ciências da Religião, área de Teologia e História, pela mesma universidade. É autor também de “presbiterianismo Brasileiro e Rebatismo”, publicado no ano de 2000. Leciona Teologia e Historia da Igreja no citado seminário teológico em Londrina e no Centro Universitário Filadélfia (Unifil), também em Londrina.

Sumário Por Lucio Mauro

O livro se inicia abordando os primórdios da teologia dos sacramentos antes mesmo de Calvino, na Suíça, através de Zuinglio e sua formação humanista, passando pela patrística e escolástica. Além de citar outros nomes importantes da reforma como Lutero, Melanchthon, Bucer, Farel.Alguns debates como o Colóquio de Marburgo e as confissões dos séculos XVI e XVII são considerados em suas constituições e aspectos litúrgicos. O livro segue apresentando a participação dos Estados Unidos nesta teologia que a leva ao Brasil através dos missionários presbiterianos. Conta como os presbiterianos trataram esta doutrina tanto nos Estados Unidos como no Brasil. Outro importante ponto levantado é a controvérsia do rebatismo vivido pelos presbiterianos no Brasil e também entre os americanos, como reflexos do “anticatolicismo”; e, como a teologia sacramental zuingliana acabou entrando nesta denominação, e em suas variantes Conservadores, Independentes, Unidas e Renovadas. No capítulo cinco, podemos encontrar algo sobre a “identidade negativa”, o anticatolicismo; e os reflexos ecumênicos da doutrina dos sacramentos. Sobre o perfil litúrgico assumido pelos presbiterianos, observamos que incluía inovações na celebração da Ceia do Senhor. Chegamos ao final do livro lendo como as várias denominações presbiterianas buscaram se livrar da herança zuingliana; e como outras denominações evangélicas foram influenciadas por esta liturgia, como Metodistas, Congregacionais, Batistas e Pentecostais a exemplo da Congregação Cristã e Assembléias de Deus, além dos neo-pentecostais.

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